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13.10.09 às 01h15 > Atualizado em 13.10.09 às 02h42
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Ativistas preparam ação contra Zito na Justiça

Proibição de Parada Gay em Duque de Caxias será notificada hoje ao Ministério Público e à OAB

POR RICARDO ALBUQUERQUE, RIO DE JANEIRO

Rio - A proibição da Parada Gay em Duque da Caxias, no último domingo, vai parar na Justiça. O superintendente dos Direitos Individuais, Coletivos e Difusos da Secretaria Estadual de Assistência Social e Direitos Humanos, Claudio Nascimento, anunciou ontem que a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e o Ministério Público (MP) serão notificados hoje sobre o que aconteceu no município da Baixada Fluminense. O presidente da OAB-RJ, Wadih Damous, adiantou a O DIA que a entidade aceitará o pedido: “Nesse caso, cabe ação civil pública a favor da liberdade de expressão”.

 

A bandeira do movimento gay, durante protesto no sábado: OAB já avisou que pretende abrir ação para defender liberdade de expressão. Foto Lucíola Villela
 

O subprocurador-geral de Justiça de Direitos Humanos, Leonardo Chaves, também prometeu estudar o caso. Deputado federal do PV e virtual candidato a governador pelo Rio, Fernando Gabeira classificou como autoritária a atitude do prefeito José Camilo Zito (PSDB). Gabeira disse que a decisão passou uma imagem negativa do Rio para o mundo inteiro, contrariando a alegria dos brasileiros com as conquistas da Copa do Mundo, em 2014, e das Olimpíadas de 2016.

“É preciso aceitar as evoluções em curso, caso contrário é melhor se candidatar em algum outro país, como a Coreia do Norte, onde ele seria mais feliz”, criticou Gabeira.

Nem mesmo a coligação do PV com o PSDB fez Gabeira atenuar as críticas. “É a primeira vez que ouço falar de uma atitude como esta no Brasil. Representa a contramão da história. E vai contra o apelo mundial pela paz e pela tolerância”, observou. Ao saber que Zito disse que apenas 10 mil dos 150 mil eram de Caxias, Gabeira deu uma gargalhada.

Ex-secretário municipal de Assistência Social do Rio, Marcelo Garcia comparou Zito ao presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad. “Ele usou de uma prerrogativa digna de um troglodita, do tempo que se podia proibir a liberdade de expressão, negando que haja diversidade sexual em Caxias. Só consigo compará-lo ao presidente do Irã”, esbravejou Garcia. “Foi um desrespeito muito grande proibir a parada na hora em que as pessoas estavam mobilizadas. Inacreditável. Por que não fez isso há uma semana?”, perguntou.

Prefeito propõe uso da vila olímpica

O prefeito José Camilo Zito sugeriu que a Parada Gay de 2010 seja realizada na vila olímpica do município. “Não adianta pressionar porque a lei municipal não vai ser desrespeitada, tanto que vamos buscar um lugar mais adequado para eles se exibirem”, garantiu.

Zito disse que faltou diálogo por parte dos organizadores da parada. “Esse evento tem que ser discutido por que acontecem muitos atos obscenos em praça pública. Dos 100 mil que estavam lá, apenas 10% são de Caxias. É gente de fora que não respeita a cidade”, acusou o prefeito.

Parada de Madureira garantida

Marcada para dia 25, a Parada Gay de Madureira não corre o risco de estacionar na discriminação. A empresária Loren Alexandria garantiu a O DIA que os órgãos da Prefeitura do Rio (Cet-Rio, SMTU, Defesa Civil e Comlurb) e a PM deram sinal verde para o evento. A concentração vai acontecer na Boate Papa G, na esquina da Travessa Almerinda Freitas com Avenida Carvalho de Souza. Com o lema ‘Somos uma Multidão pela Liberdade de Expressão’, a Parada Gay de Madureira pede aos manifestantes que desfilem vestidos. “Não é Carnaval. Trata-se de uma luta pelos nossos direitos”, observa Loren.

Dia 1º de novembro, será a vez da Parada Gay de Copacabana, divulgada em site de notícias do governo do estado do Rio.

 

 
 
 

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