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23.10.09 às 03h09
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Igreja da Penha transformada em mirante de traficantes

Torres estariam sendo usadas por bandidos como local para vigiar a chegada de policiais às favelas vizinhas ao Santuário

Rio - Do alto de favelas do Complexo da Penha para a Igreja Nossa Senhora da Penha. Símbolo de fé e devoção, marco turístico da cidade, as torres do templo centenário estariam sendo usadas como ponto de observação de criminosos, que, do alto, têm visão privilegiada e alertam as quadrilhas sobre a chegada da polícia aos complexos da Penha e do Alemão. A Arquidiocese do Rio informou que não vai se pronunciar sobre o caso.

Tráfico de drogas é com a polícia”, alegou a instituição religiosa, através de sua assessoria.

Igreja de Nossa Senhora da Penha, símbolo da Zona Norte, está fincada no meio do Complexo da Penha: devido aos constantes conflitos na região, pilotos não sobrevoam o local. Foto: Carlos Eduardo Cardoso / Agência O DIA

Não é a primeira vez que fiéis e funcionários da igreja passam por situação semelhante. “Durante as operações da polícia, isso tem acontecido. Alguns prédios já foram atingidos por balas perdidas. Antes os bandidos respeitavam. Só iam até uma pedra próxima à igreja”, comentou uma frequentadora do Santuário da Penha. Mesmo com o risco de uma bala perdida, a aposentada de 77 anos se apega à fé para buscar uma saída.

Moradora do bairro há 30 anos, ela ainda lembra quando a amiga, a aposentada Augusta Pereira da Silva, 82, morreu, em 2007, após ser atropelada por traficantes da Vila Cruzeiro que fugiam da polícia em uma moto roubada. “Ela tinha saído da missa”, lamentou.

Ontem, o clima foi tenso na Vila Cruzeiro. Diante da movimentação policial e da hipótese de uma operação para prender o traficante Fabiano Atanázio da Silva, o FB, acusado de chefiar a invasão ao Morro dos Macacos, bandidos se prepararam para reagir. Os criminosos mandaram recados pelos radinhos de comunicação. “É só meter a cara e vocês atiram!”, diziam um dos bandidos.

>> FOTOGALERIA: Quarta-feira de intenso confronto pelas favelas do Rio

Os bandidos diziam que estavam bem armados e que tinham uma metralhadora ponto 30 e uma ponto 50 — armas de guerra — apontadas para a Av. Nossa Senhora da Penha, esperando a chegada da Polícia Militar ou da Polícia Civil. Os criminosos lançaram desafios e ironizaram a queda do helicóptero da PM. “Pode vir Águia (helicóptero), pode vir Caveirão, que vamos explodir tudo! Vamos explodir tudo!!!”, gritavam pelo rádio.

>> FOTOGALERIA: Momentos da guerra sangrenta no sábado

Onda de boatos em Caxias e São Gonçalo

A caçada à quadrilha que invadiu o Morro dos Macacos ajudou a propagar onda de boatos pelo Grande Rio. Em Duque de Caxias, São Gonçalo e Itaboraí, denúncias anônimas aos batalhões da PM mencionam que bandidos que participaram do ataque estariam escondidos em favelas desses municípios. Comércio e escolas chegaram a fechar. Equipes do 7º BPM (Alcântara) fizeram incursões em favelas, mas ninguém foi preso. Em Caxias, o 15º BPM reforçou o policiamento na área da Mangueirinha.

A guerra no Rio

No último sábado, bandidos do Morro de São João tentaram invadir o Morro dos Macacos para tentar tomar os pontos de venda de drogas da comunidade. Houve intenso tiroteio durante toda a madrugada. Moradores ficaram apavorados com a guerra. A Polícia Militar estava no entorno da favela, em Vila Isabel, Zona Norte da cidade.

Pela manhã, a PM interveio e foi para cima do confronto. Os criminosos atiraram contra um helicóptero da Polícia Militar e conseguiram derrubá-lo. Três militares morreram na queda da aeronave. O piloto, considerado um herói, conseguiu escapar. No Jacarezinho e na Mangueira, traficantes atearam fogo em oito ônibus. De acordo com o último balanço da Polícia Militar, 33 pessoas já morreram em eventos relacionados à guerra do tráfico desde o último fim de semana.

Reportagens de Alessandro Ferreira, Bartolomeu Brito, Charles Rodrigues, Luarlindo Ernesto Marco Antonio Canosa, Maria Mazzei e Paula Sarapu

 
 
 

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