Trem para e causa mais quebra-quebra
Passageiros depredaram estação de Ricardo de Albuquerque. Há indícios de que novo ato de sabotagem paralisou composições ontem
Rio - Pelo quarto dia consecutivo, um trem da SuperVia apresentou problemas que terminaram em tumulto. Às 7h40, a composição parou entre as estações de Ricardo de Albuquerque e Deodoro, revoltando mais de 200 passageiros que saíram dos vagões pelas janelas, abrindo as portas à força e caminhando pela linha férrea por mais de 100 metros. Aos gritos de “fora SuperVia” e “quero meu dinheiro”, vândalos atacaram a estação de Ricardo de Albuquerque a pedradas e destruíram luminárias, vasos de plantas e lixeiras.
Soldados do 14º BPM reforçaram o patrulhamento nas estações de Ricardo de Albuquerque, Deodoro e Anchieta após o problema, que causou atraso de 20 minutos nas composições. Segundo nota oficial da SuperVia, o problema foi operacional, em trem que seguia de Japeri para a Central do Brasil.
PERÍCIA NA ESTAÇÃO
“Uma equipe vistoriou a estação. Com o resultado da perícia poderemos avançar na investigação”, disse o delegado Eduardo Freitas. Os estragos foram periciados por agentes da Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados, que investigam a hipótese de milicianos ligados a vans estarem por trás de atos de sabotagem contra os trens.
O DIA apurou que há indícios de novo ato de sabotagem ontem, que teria danificado um dos equipamentos da composição. Também está sendo investigada a presença de pelo menos duas pessoas que teriam insuflado os passageiros a praticar vandalismo momentos após a quebra do trem.
O maquinista, que parou pouco antes de chegar à estação de Ricardo de Albuquerque, foi ameaçado por usuários, mas PM que estava no vagão conseguiu contê-los.
Problema também no metrô
“Fomos avisados de que estavam aguardando a sinalização, o que não era verdade. Depois de 20 minutos, vimos seguranças levando o maquinista”, contou a auxiliar administrativa Irene da Silva, 25 anos. “Com o ar desligado, portas e janelas fechadas, estava um calor insuportável. Nenhum agente apareceu para ajudar idosos e crianças a descerem do trem”, queixou-se Irene, que ajudou a socorrer Bruna Silva Costa, 21, que, grávida de oito meses, desmaiou enquanto caminhava pela linha do férrea.
Um trem da linha 2 do Metrô também parou ontem na estação de Acari, às 11h, devido a vazamento de ar comprimido. Os passageiros foram retirados da composição. Não houve tumulto.
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