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03.11.09 às 01h59
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Casal acusa preconceito em boate gay

Eleito a cidade preferida do público LGBT, desbancando Barcelona, Buenos Aires, Londres, Montreal e Sidney, Rio vai promover outra Parada Gay. Governo quer disque-cidadania e centros de apoio a homossexuais vítimas de violência

Rio - Embora more no melhor destino gay do mundo, um casal de rapazes viveu na pele o preconceito contra homossexuais. Eles acusam dois seguranças da Le Boy, famosa boate gay do Rio, em Copa, de os terem espancado porque trocaram beijos na pista de dança.

Foto: Alessandro Costa / Agência O DIA
André e Marcos ficaram afastados do trabalho devido às lesões

O professor André, 26, e o consultor de vendas Marcos (nomes fictícios), 29, deram queixa de lesão corporal na 13ª DP (Ipanema). “Eles nos batiam, um repetia: ‘veado tem que apanhar’”, lembra André, que teve dedo fraturado, escoriações no corpo e está sem trabalhar há 50 dias. Marcos levou 11 pontos na cabeça.

A surra foi em 13 de setembro, na Rua Júlio de Castilhos, vizinha à Raul Pompéia, onde fica a Le Boy. O casal saiu de lá às 5h e foi surpreendido por um segurança identificado como Jr. Bruto, que, na boate, havia exigido que o casal fosse para o ‘dark room’, espaço destinado a carícias mais ousadas. Outro segurança juntou-se a Bruto no espancamento. A delegada Monique Vidal mandou intimar o dono da Le Boy, Gilles Lascar, que disse desconhecer o caso e não aceitar esse tipo de atitude de funcionário.

O melhor destino gay é aqui

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Um dia depois da 14ª Parada Gay  e um mês após eleita sede da Olimpíada 2016, o Rio ganhou novo título: melhor destino gay do mundo. Foram dois meses de votação no site TripOutTravel e no canal americano Logo, da MTV, voltado para o segmento LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros). O Rio foi escolhido por mais de 100 mil pessoas, deixando para trás Barcelona, Buenos Aires, Londres, Montreal e Sidney. Para festejar, está marcada concentração entre Ipanema e Arpoador, no domingo, num evento semelhante à Parada Gay.

“É mais um reconhecimento da hospitalidade do povo, que faz os visitantes se sentirem em casa. É um orgulho ser prefeito de uma cidade que respeita e valoriza as diferenças”, disse o prefeito Eduardo Paes, lembrando o título carioca de cidade mais feliz do mundo.

No site, a cidade é descrita como local de pessoas amigáveis, belezas naturais e curiosas histórias envolvendo o público LGBT. Sugere passeio na Lapa, apresentada como bairro de Madame Satã, transformista famoso nos anos 30. Mas as mais fortes referências são à Zona Sul. A Rua Farme de Amoedo, em Ipanema, é apontada como a mais gay do Rio, e Copacabana como local para curtir com público selecionado.

“A Parada Gay mostrou que o Rio sabe receber bem todos”, disse o secretário especial de Turismo, Antonio Pedro Figueira de Mello. Para o superintendente de Direitos Individuais, Coletivos e Difusos da Secretaria Estadual de Direitos Humanos, Cláudio Nascimento, a responsabilidade aumenta: “Temos que consolidar políticas públicas voltadas a esse público. Este mês, lançaremos um disque-cidadania gay e 10 centros de referência de apoio jurídico e psicossocial a homossexuais vítimas de violência”. Segundo Nascimento, a falta de registro dos casos dificulta a repressão à violência. Pesquisa do Grupo Arco-íris, Uerj e Universidade Cândido Mendes aponta que só 8% dos homossexuais no estado denunciam agressão ou discriminação sofrida. Ao todo, 70% dizem ter sido vítima de violência e 82% só contaram o caso a um amigo.

 
 
 

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