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04.11.09 às 16h37 > Atualizado em 04.11.09 às 17h40
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Fraudadores pretendiam participar de obras da Copa 2014 e Olimpíadas 2016

Rio - As licitações das obras da Copa de 2014 e das Olimpíadas de 2016 estavam entre os alvos da quadrilha desarticulada nesta quarta-feira pela Polícia Civil do Rio. De acordo com o delegado Flávio Porto, que comandou a operação, os empresários investigados na Operação Monopólio podem ter fraudado cerca de R$ 20 milhões por meio de desvios e superfaturamento.

Foto: Osvaldo Praddo / Agência O Dia

Policiais dão batida na Avenida Lobo Júnior, no Centro do Rio | Foto: Osvaldo Praddo / Agência O Dia

Cerca de 120 homens de delegacias especializadas, com o apoio do Núcleo de Combate à Corrupção e a Lavagem de Dinheiro (NUCC-LD), foram às ruas na manhã desta quarta-feira para cumprir 30 mandados de busca e apreensão em empresas e imóveis do grupo formado por 12 empresas. Elas se jutavam, formavam um cartel e combinavam quem ia ganhar as licistações.

O superfaturamento era de até 20% no valor da contratação. A Polícia Civil calcula em R$ 100 milhões as obras contratadas somente em dois anos - 2008 e 2009. Mas mais de 50 obras estão sendo investigadas, desde 2000. A investigação já virou processo, na 11ª Vara Criminal.

A operação foi realizada nas Zonas Norte e Sul, Região Oceânica de Niterói e Centro. Foram apreendidos vários documentos, cartas, computadores. Uma carta manuscrita entre duas empresas é referente a licitação que o grupo pretendia disputar este mês, de uma obra avaliada em R$ 72 milhões em Resende. A Polícia Civil indiciou 12 pessoas, entre elas empresários, por formação de quadrilha, fraude em licitação e lavagem de dinheiro, entre outros. Três são funcionários da Polícia Civil - arquiteto, engenheiro e técnico.

Início da investigação

Tudo começou quando a Comissão de Licitação da Polícia Civil desconfiou de rodízio entre três empresas para  vencer as contratações e o NUCC-LD passou a investigar.  Entre as obras investigadas, estão a construção de Vila Olímpica de Acari, a reforma em vários andares no prédio da Polícia Civil, construção de escola municipal modelo, e a do Hospital Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, Zona Oeste Rio.


Foto: João Laet / Agência O Dia

De acordo com a Polícia Civil, quadrilha pode ter fraudado cerca de R$ 20 milhões, por meio de desvios e superfaturamento. Foto: João Laet / Agência O Dia

"Pegamos um grupo muito refinado, o que dificultou muito o nosso trabalho. Por isso é que tivemos de ter muito cuidado na colheita de provas. Ainda não prendemos ninguém por esta razão", disse Flávio Porto, delegado da Polícia Civil.

De acordo com as investigações, os empresários dividiam o dinheiro quando uma das empresas saía vencedora do processo. O trabalho de investigação foi estendido a outros órgãos, assim como nas escolas e na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e, após minuciosa pesquisa, os investigadores suspeitaram da criação do cartel entre as empresas. Esta foi a primeira grande operação do NUCC-LD, criado há um ano para investigar crimes conhecidos como de 'colarinho branco'.

"A comissão permanente da Polícia Civil percebeu que estava acontecendo um revezamento entre estas empresas na participação nas licitações. A partir disso, começamos a investigar", afirmou o delegado.

Os empresários vinham sendo monitorados por escutas telefônicas com autorização da Justiça. O esquema funcionava, aparentemente, desde 2000.

 
 
 

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