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03.11.09 às 03h46
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Guerra por conexão com presos

Investigações da polícia indicam que controle da Favela de Vila Kennedy é alvo de disputa entre facções rivais por causa da proximidade com presídios de Gericinó. Rádios burlam sistema de bloqueio de sinais instalado nas cadeias

POR LESLIE LEITÃO, RIO DE JANEIRO

Rio - A guerra entre facções rivais de traficantes pelo controle da Favela Vila Kennedy, na Zona Oeste, iniciada no domingo, não se limita a mais uma briga por território. No centro da disputa está a comunicação com os presos do Complexo de Gericinó. A comunidade é a mais próxima das 24 unidades prisionais e, segundo investigações da polícia, é de lá, por meio de aparelhos capazes de driblar bloqueadores de celular, que bandidos recebem ordens transmitidas da cadeia pelos chefões do tráfico.

Foto: Alexandre Vieira / Agência O DIA
Policiamento nos acessos à Vila Kennedy foi reforçado, mas o clima de tensão entre os moradores continua

Ontem, apesar de a Polícia Militar manter os principais acessos à Vila Kennedy ocupados, houve troca de tiros durante a madrugada. No domingo, o confronto durou cinco hora de deixou cinco feridos por balas perdidas. Traficantes do Terceiro Comando Puro (TCP), que controlam a região de Senador Camará, atacaram a comunidade, dominada pelo Comando Vermelho.

De acordo com policiais civis e agentes penitenciários, os chamados rádios ponta a ponta, como Icom, Vertex e TalkAbout, que só podem ser usados para falar a curta distância, conseguem burlar o bloqueio de celulares instalado pela Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) em Gericinó. “Há um personagem central nessa comunicação, que está sempre na Vila Kennedy. E através dele, os bandidos das favelas se comunicam com a prisão”, conta um policial.

“Os detentos preferem os menores, que entram na cadeia escondidos com os visitantes”, afirma uma agente que trabalha numa unidade de segurança máxima de Gericinó.

Morador denuncia tortura

Depois dos cinco feridos no primeiro dia de confronto, ontem um homem chegou ao Hospital Albert Schweitzer, em Realengo, com marcas de espancamento pelo corpo. O pintor e ajudante de obra H.S.F., de 32 anos, teria sido sequestrado por bandidos quando bebia em um bar da Vila Kennedy no fim da noite de ontem. Afirmando que teria sido confundido com um traficante, ele contou que foi levado para um matagal, onde o torturaram durante toda a madrugada.

Por volta das 6h, o morador teria conseguido escapar do cativeiro e seguiu para um galpão onde trabalha. De lá, pediu socorro à polícia e foi levado para o hospital e recebeu alta depois de ser medicado. À tarde, bandidos estiveram no galpão à procura de H..

LINHA DIRETA DO TRÁFICO

Apreensões de radiotransmissores em presídios são comuns. Em apenas uma operação, agentes penitenciários encontraram 18 aparelhos, embrulhados dentro de camisinhas, na Penitenciária Doutor Serrano Neves (Bangu 3). É lá que estão alguns dos principais traficantes do Comando Vermelho.

Outra evidência dessa linha direta do tráfico ocorreu em junho de 2004, quando a Polícia Civil apreendeu, no Complexo do Alemão, equipamentos para uma central de rádio que seria instalada na Vila Kennedy.

Segundo a polícia, a invasão deste fim de semana foi coordenada por Márcio José Sabino Pereira, o Matemático, e aliados conhecidos como Barriga e Berrinho. Apesar da informação de que pelo menos cinco pessoas teriam morrido, nenhum corpo foi achado até agora.

 
 
 

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