Motocross da imprudência desafia pedestres
Motociclistas abusam das bandalhas e transformam praça, passarela e calçadas em pista. A frota não para de crescer: há 186 mil no estado
Rio - Nas calçadas, avançando o sinal, na contra-mão ou em passarelas e praças. Para driblar os obstáculos do trânsito, muitos motociclistas transformaram o espaço do pedestre em pista. De janeiro a setembro, 15.990 motoqueiros foram multados por exceder a velocidade no Rio. E a frota sobre duas rodas não para de crescer: subiu 59% em 8 anos. Hoje há 186 mil motos no estado, 50 mil nas mãos de motoboys.
Flagrou motos circulando na calçada ou passarela? Mande fotos para nós!
A invasão do espaço exclusivo de pedestres é o alvo das queixas mais indignadas dos cariocas. “Já fui atropelado na calçada quando vinha ao banco”, revelou o aposentado Afonso Milet, 70 anos. Passarelas que deveriam proteger os pedestres do trânsito, viram vias de motocicletas. “Passa moto toda hora. Fico com medo de descer aqui, principalmente quando estou com meu filho. Tenho que prestar atenção e desviar”, reclama a operadora de caixa Dilza Inácio, moradora do Parque União, que atravessa a passarela 10 da Av. Brasil diariamente.

Na Av. Brasil, em Bonsucesso, moto ignora pedestres: dirigir em calçada e passarela vale multa de R$ 518
Mães com carrinho de bebê precisam se esquivar de motoqueiros na Av. Almirante Ary Parreiras, em Icaraí, Niterói. Lá, uma praça virou cruzamento para motoboys, categoria que estampou a maioria dos flagrantes registrados por O DIA. “De minuto em minuto passa uma moto. Muitas vezes tenho que parar no meio da rua com o carrinho”, indigna-se a advogada Daniela Viegaz, 38.
“Um profissional de verdade têm que seguir as regras de trânsito. Não pode colocar a sua vida e a dos outros em risco”, defende Pedro Paulo Carvalho, do Sindicato dos Empregados Motociclistas do Rio.
No Centro, calçadas de pedras portuguesas viraram estacionamento ‘pirata’. Até monumentos são alvo da bandalha. “Na R. México, a Biblioteca Nacional e o Museu Nacional de Belas Artes são agredidos pelo estacionamento irregular”, queixa-se o diretor do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Carlos Fernando Andrade. Falta de estacionamento é desculpa recorrente: “Se tivesse mais vagas não teria parado na calçada”, diz Vander Chistoni, 38. Mas a CET-Rio informa que houve aumento de vagas gratuitas no Centro: hoje são 2 mil.
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