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02.11.09 às 02h32
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Parada Gay ganhará mais recursos no próximo ano

Mesmo debaixo de chuva, evento reúne 1,2 milhão de pessoas em Copacabana e conta com a presença de Sérgio Cabral e Eduardo Paes

Rio - A chuva que atingiu o Rio ontem não conseguiu acabar com o brilho da 14ª Parada do Orgulho Gay, que, segundo os organizadores, reuniu 1,2 milhão de pessoas em Copacabana. O prefeito Eduardo Paes, que se reuniu com os coordenadores do evento antes do início da festa, disse que entregou a eles “a chave da cidade” e prometeu aumentar no ano que vem — quando o evento completa 15 anos — o investimento da Prefeitura na parada. Este ano, o município investiu R$ 100 mil. Segundo o superintendente de Direitos Individuais, Coletivos e Difusos da Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos, Cláudio Nascimento, o investimento pode chegar a R$ 800 mil em 2010 — o valor, no entanto, não foi confirmado pela prefeitura.

>>> FOTOGALERIA: Veja imagens da Parada Gay

“Essa cidade é aberta à diversidade. E a presença da prefeitura aqui é para deixar clara essa posição da maioria da população carioca”, disse Paes, acrescentando que criará uma coordenadoria para cuidar de políticas públicas destinada a lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros.
 

Foto: João Laet / Agência O DIA
Festa gay reuniu multidão ontem à tarde na Avenida Atlântica em defesa dos direitos dos homossexuais. “Essa cidade é aberta à diversidade”, afirmou o prefeito Eduardo Paes

Segundo Cláudio Nascimento, um estudo mostrou que a parada gay do ano passado movimentou R$ 45 milhões no Rio. O prefeito confirma o sucesso: “A cidade está lotada. Quem tentou achar vaga nos hotéis mesmo com o feriado e com a chuva, não conseguiu”. Estimativa indica que a cidade arrecadou este ano cerca de R$ 3 milhões em ISS com o faturamento do comércio e da indústria hoteleira.

O governador Sérgio Cabral, que abriu oficialmente a festa ao lado da primeira-dama, Adriana Ancelmo Cabral, disse que não se pode mais “tolerar preconceito no Brasil”. “Nós, homens públicos, temos que ter coragem de assumir posições e mostrar que o Brasil é um país civilizado. As pessoas têm que entender que se um homem gosta de outro homem ou se uma mulher gosta de outra mulher, isso é problema de cada um. Vamos garantir os direitos individuais cada vez mais. Quero garantir que o Rio seja sempre a vanguarda dos direitos civis”, disse, ao sair do trio elétrico. Ao lado de Gilza Rodrigues, presidente do grupo Arco-Íris, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, disparou contra o prefeito de Duque de Caxias, José Camilo Zito, que proibiu a parada gay no município, no mês passado. Outro alvo foi o governador do Paraná, Roberto Requião, que relacionou o câncer às paradas gays.

“O que dá câncer é preconceito. Preconceito faz mal à saúde e pode matar”, disse Minc, que também citou o governador do Mato Grosso do Sul, André Puccinelli, que o chamou de “veado e fumador de maconha”. “É uma cabeça troglodita de quem pensa como se estivesse na época da Inquisição”.

Madrinha da Parada, a atriz Letícia Spiller disse que é contra todo tipo de preconceito. “Tenho muitos amigos gays, homens e mulheres. O que eu puder fazer para quebrar esse tipo de preconceito eu vou fazer”, resumiu.

Melhor Destino Gay Global: Rio compete

O Rio pode ser escolhido hoje o Melhor Destino Gay Global 2009. A cidade compete com Barcelona, Buenos Aires, Montreal e Sydney. O concurso, promovido pelo canal Logo, da MTV americana, voltado para o público LGBT, não dá prêmio em dinheiro, mas reconhecimento em um dos portais mais respeitados pela comunidade gay dos EUA. “O Rio é uma cidade aberta à diversidade. Vamos investir para que a cidade supere seus preconceitos e não tenha qualquer característica homofóbica”, disse Eduardo Paes.

Moradores do Rio, os pastores da Igreja Cristã Contemporânea Marcos Gladstone e Fábio Inácio estavam felizes: vão se casar na sede da igreja, no Centro, e festejar numa casa de festa do Alto da Boa Vista. “O Rio é pioneiro em tudo, até no primeiro casamento de pastores gays do mundo”. O casal segurava uma placa com os dizeres “Eu tenho direito de ser gay e cristão”.

Reportagem de Pâmela Oliveira e Ricardo Albuquerque

 
 
 

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