Salário X propina
Ao anunciar reajuste de 68,4% para PMs de Brasília, Lula afirma que só uma boa remuneração pode evitar que policiais se corrompam
Brasília - Diante de uma plateia de policiais militares e bombeiros, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem, em Brasília, que pagar bons salários é a única maneira de evitar que os agentes de segurança se corrompam. “A única hipótese para não termos um policial levando propina da bandidagem é que esse policial ganhe o suficiente para cuidar de sua família”, declarou ele, na solenidade que sancionou a lei que estabelece o novo plano de carreira para a Polícia Militar do Distrito Federal.

Lula veste quepe da PM de Brasília ao sancionar lei que estabelece que soldado da capital ganhará R$ 4 mil
O plano prevê aumento de 68,4% para os PMs de Brasília, que já recebiam a melhor remuneração do Brasil. Agora, o soldado da capital ingressará na corporação com salário inicial de cerca de R$ 4 mil. No Rio, esse valor chega a R$ 850.
O presidente também fez referência aos ‘bicos’ exercidos pelos policiais. “Temos duas coisas que podem garantir um bom policial: é ele ser bem formado, ter uma corporação bem estruturada e no final do mês ele ter a sua profissão como única fonte de renda para sustentar. Porque se ele precisar fazer bico, nós já estamos correndo risco. Se ganhar o insuficiente e precisar trabalhar fora, já estamos correndo risco”, afirmou
Lula também criticou a atual jornada de trabalho da categoria, de 24 horas de trabalho por 72 horas de folga. Segundo ele, “só Papai Noel acredita que o ser humano não dê uma cochiladinha durante 24 horas de trabalho”.
Ovacionado por 7 mil militares, Lula colocou capacete de bombeiro e chapéu de policial. Em seu discurso, salientou que os reajustes dependem do cofre de cada estado e que “nem todos podem dar a mesma condição de Brasília”, onde quem paga é o governo federal.
Poder de polícia para Marinha e Aeronáutica
Em visita ao Centro de Tecnologia do Exército, em Barra de Guaratiba, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, detalhou ontem a proposta de mudança na Lei Complementar 97, antecipada pela coluna Força Militar, do DIA. Ele confirmou a intenção de dar poder de polícia para a Aeronáutica e a Marinha nas áreas de fronteira, em situações de ausência das autoridades competentes — atribuição já garantida ao Exército desde 2004.
Segundo o ministro, as três forças estão preparadas para exercer esse papel e as mudanças ajudarão no combate ao narcotráfico.
Para justificar o ajuste na lei, o ministro lembrou um episódio envolvendo um avião carregado de drogas, abatido por militares que não puderam abordá-lo, em Goiás. “Como a Força Aérea só tem o poder de patrulhamento, os traficantes conseguiram escapar”, lembrou.
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