Sol a pino castiga e aquece vendas
Este novembro é o mais quente dos últimos 5 anos. Há quem trabalhe sob calor de até 47°
Rio - Os termômetros que hoje devem atingir novamente os 40 graus aquecem bem mais que o corpo dos cariocas. Comerciantes comemoram o aumento nas vendas de água, sacos de gelo, ventiladores e ar condicionado. A sobrecarga no uso desses aparelhos fez faltar energia ontem em vários pontos, principalmente zonas Oeste e Norte. Em protesto, moradores de Jacarepaguá, Benfica e Realengo foram para as ruas com cartazes. A Light atribuiu o problema ao uso excessivo de equipamentos para amenizar o calor e mandou equipes para os locais. Segundo meteorologistas do Climatempo esse é o início do novembro mais quente dos últimos 5 anos. Ontem, a temperatura chegou a 39,3 graus na Praça Mauá. Praias ficaram lotadas até o pôr do sol, às 19h, levando equipes de salvamento a resgatar pelo menos 137 banhistas.

No Centro, José enfrenta temperaturas ainda mais altas do que a dos termômetros oficiais. Ontem à tarde, trabalhava sob calor de 47 graus
Sob o sol a pino, a vendedora Maria Margarida, 51, com ponto cativo na Av. Rio Branco, no Centro, enfrenta calor de 46 graus medidos por termômetro. Mesmo assim, comemora: a venda diária chegou hoje aos 80 cocos, 50 a mais que os 30 por dia da semana passada. Perto dali, a distribuidora de bebidas Nova Lapa festeja aumento de 100% na venda de sacos de gelo de 20 quilos. “Com o calor, aumentamos de 30 para 60 sacos por dia”, diz Evandro dos Santos, dono do depósito.
Do outro lado da cidade, o gerente comercial Alexander Rehm, da Caasi, empresa de Del Castilho que vende e faz manutenção de ar condicionado, viu crescer de 20 para 70 o número de chamados por dia. “Com calorão de 40 graus, as pessoas ligam na potência máxima. Não há aparelho que aguente”, diz ele, que começou a distribuir folhetos anunciando a contratação de mecânicos de ar condicionado central. “Se cinco aparecessem, contrataria todos”, diz. A empresa recebe currículos pelo email caasi@caasi.com.br.
Mas nem só de flores vive essa primavera escaldante. O calor castiga profissionais como motoristas de ônibus, advogados e pipoqueiros, que são obrigados a enfrentar jornada sem refresco. O pipoqueiro José Sampaio, 46, sofre com o calor que leva o termômetro de sua carrocinha aos 47 graus. “Com o calor as pessoas preferem os líquidos e os sorvetes. O movimento chega a cair 60% entre novembro e março, quando ainda está quente”, reclama. O que salva seu bolso é a pipoca salgada, recurso comum para quem foge da pressão baixa, que caminha de mãos dadas com as altas temperaturas.
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Outro profissional que sofre com o verão antecipado é o motorista de ônibus Antônio André, 46 anos, que faz todos os dias o caminho que liga Curicica a Praça 15 sem ar condicionado. Para sobreviver à rotina ‘caliente’, ele carrega sempre no bolso papéis para secar a testa e faz questão de uma alimentação leve. “É só salada e muita água”, diverte-se. “E se o dia fica mais complicado a gente aproveita os sinais fechados e molha o rosto e a cabeça”.
Prainha: cancela para limitar acesso
Parque ecológico protegido por lei desde 1999, a Prainha, na Zona Oeste, será fechada por cancelas nos fins de semana e feriados a partir de 5 de dezembro. O objetivo é evitar danos ambientais causados pela multidão de veículos que tumultua o local nesses dias: a média de carros chega a 4 mil. A prefeitura vai limitar o acesso a 850, número de vagas na região. Caminhões e ônibus serão barrados.
Dois bloqueios funcionarão nos acessos à Prainha por Guaratiba e pela Barra da Tijuca. Um terceiro, com cones de sinalização, será na divisa com Grumari. Em todos, haverá guardas municipais e PMs. Quando a contagem de carros atingir o máximo, cancelas serão fechadas e painéis eletrônicos alertarão motoristas.
“A limitação é de carros, não de pessoas. A Prainha é um parque ecológico que está sendo destruído por estacionamento irregular”, diz o gerente do Comitê da Orla, Jovanildo Savastano. O comitê e outros órgãos da Operação Verão estudam soluções para minimizar impactos, como o aumento no número de banhistas em praias vizinhas, como a Barra. Uma alternativa é explorar estacionamento em shoppings.
Cuidados do verão devem ser antecipados
O verão só começa oficialmente em 21 de dezembro, mas os cuidados com problemas de saúde provocadas pela estação, como intoxicação alimentar, desidratação e pressão baixa, devem ser antecipados. A atenção deve ser, principalmente, em relação a idosos e crianças, considerados os grupos de maior risco devido à baixa imunidade.
Segundo as sociedades médicas de Pediatria e Geriatria, é importante o uso de protetor solar diariamente. Nos bebês, o indicado é bloqueador com fator de proteção elevado. Nas crianças é bom passar protetores que não saem na água. Idosos devem passar protetores solares híbridos, com hidratante.
Segundo os especialistas, com o calor as pessoas transpiram mais e perdem mais líquido, podendo ficar desidratadas. Uma pessoa com 70 quilos, por exemplo, deve tomar um litro e meio de água por dia.
Especialistas alertam para o risco de tomar sol sem proteção, que contribui para o câncer de pele. Evite o sol das 11h às 16h e use chapéu e roupas compridas, mas frescas, quando o tempo de exposição ao sol for prolongado.
A queimadura de primeiro grau é caracterizada por forte ardência na pele logo nos primeiros contatos com o sol. As queimaduras de segundo grau espalham bolhas pelo corpo. Normalmente são causadas por substâncias impróprias para uso, como óleo das folhas de figo e urucum.
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