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04.11.09 às 01h47
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Treinados para combater o crack

Prefeitura vai capacitar profissionais de educação, assistência social, saúde e guardas municipais para prevenção ao uso da droga

Rio - A Prefeitura do Rio vai capacitar educadores sociais, professores, profissionais de assistência social, saúde e da Guarda Municipal para entrar na guerra contra o crack. Ontem, foram inaugurados três centros de atendimento para tratamento de crianças e adolescentes usuários da droga, em Sepetiba e Campo Grande, conforme O DIA noticiou na semana passada.

Foto: Ernesto Carriço / Agência O DIA
Adolescente é uma das quatro internas de novo centro, em Sepetiba

As unidades abertas vão atender 40 meninos e 20 meninas de 7 a 17 anos. O atendimento a cada interno custará R$ 2.500, um investimento total de R$ 150 mil por mês.

Os professores municipais serão as armas no trabalho de prevenção à droga, orientando pais sobre possíveis mudanças de comportamento dos alunos. A rede pública conta com 36.265 professores do Pré-Escolar ao Ensino Fundamental.

“O crack não tem solução imediata. A internação do dependente é a última instância, embora estejamos inaugurando três unidades de tratamento hoje (ontem). Mas nosso maior objetivo é preparar o olhar do professor para que ele possa instruir os alunos e relatar aos pais as alterações de comportamento”, explica Paes. O plano de combate ao crack também prevê a criação de campanhas publicitárias.

Dados da Secretaria Municipal de Assistência Social indicam que o crack atinge 80% dos 750 menores de rua que circulam pela cidade. Em 2005, 13% das crianças e adolescentes de usavam a droga.

Um quarto centro de referência em tratamento de dependentes de crack será inaugurado dia 20. Um convênio com o Albergue Irmã Dulce permitirá o atendimento exclusivo a mulheres maiores de 18 anos, apontadas por técnicos da secretaria como a faixa etária em que há maior crescimento de consumo da droga.

O Rio ganhará também Centro de Atenção Psicossocial (Caps). O Ministério da Saúde autorizou a habilitação da unidade em Santa Maria Madalena e vai repassar por mês R$ 21.804 para atendimento de pacientes com transtornos mentais. A unidade vai acolher pessoas com problemas relacionados ao consumo de álcool e drogas.

Já o secretário municipal de Saúde, Hans Dohmann, anunciou a inauguração de mais dois Caps na cidade do Rio, ano que vem. Nos Caps, há acompanhamento psicológico e assistência social.

Quatro meninas inauguram clínica

Viciada em crack desde os 9 anos, T., hoje com 12, é uma das quatro meninas já internadas no Instituto de Abstinência Dr. Bezerra de Menezes, em Sepetiba. No primeiro dia, ela já admitiu a dificuldade de ficar longe das ruas e das drogas: “Sei que é uma bobeira fumar crack, mas é muito difícil segurar quando bate a ‘nóia’. Dá vontade de sair gritando até alguém me dar uma pedra”.

A exemplo de T,. as outras três meninas também já se prostituíram para conseguir a droga. O caso mais difícil é o de G., 15 anos, internada pela segunda vez. A adolescente contou que os pais são viciados em drogas e muitas vezes o consumo era em família.

Reportagem de Mahomed Saigg e Ricardo Albuquerque

 
 
 

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