Vontade de mudar vidas com palavras bem ditas
Padre Fábio de Melo estreia coluna em O DIA no próximo domingo e diz que vai tratar de valores que interessam a todos, independentemente da religião professada
Rio - O desafio de levar a Palavra de Deus através de um meio ainda não explorado por ele: o jornal impresso. Esse é um dos princípios que motiva o Padre Fábio de Melo, novo colunista de O DIA. A uma semana de experimentar, pela primeira vez, a sensação de assinar uma coluna semanal, o sacerdote, que já evangeliza através de programas de televisão, músicas, livros e Internet, está feliz com a oportunidade de dividir sua mensagem com os leitores do jornal.
Na coluna que estreia no próximo domingo, dia 15, Padre Fábio pretende trabalhar dentro da linha ‘cultura e fé’. Ele garante que não vai escrever apenas para o ‘público católico’, mas vai abordar assuntos relativos a valores e princípios pertinentes a todos, independentemente da religião professada. Inspiração para os textos não vai faltar.
O sacerdote conta que os temas serão tirados do cotidiano, do contato com as pessoas e das histórias ouvidas. Mas a nova experiência vai exigir disciplina e dedicação, confessa o padre.
“Quero ter uma conversa com o leitor. Quando tratamos valores que fazem parte da vida, não existe perspectiva religiosa que possa discordar. Verdade, justiça, sociedade melhor interessam a todos. Vou escrever para gente que gosta de gente”, declara.
O DIA: Como o senhor recebeu o convite para assinar uma coluna em O DIA?
Padre Fábio: – Fiquei muito feliz por ser mais um meio de evangelizar, mas não estava organizado o suficiente para assumir uma coluna, pois requer disciplina e constância. Tinha o desejo de intensificar a evangelização pela escrita, que ainda é pouco conhecida pelo público. Não é honesto com o que sou restringir meu ministério de sacerdote à música. Acredito que uma palavra bem dita é capaz de mudar vidas. Um jornal não existe só para informar, mas se preocupa com valores e formação de pessoas.
Qual vai ser o primeiro tema da coluna?
Ainda não sei. Vou estudar essa semana. É um desafio escrever toda semana um assunto diferente. Minha maior inspiração é o cotidiano, as vivências. Como viajo bastante e conheço muita gente, temas não vão faltar. Minha única experiência foi como colunista mensal de uma revista católica.
Além dos CDs, dos programas e dos livros, o senhor usa muito o Twitter. Como é evangelizar por esse meio?
No início, achei que o Twitter fosse mais uma forma de evangelizar, mas é muito mais. É uma oportunidade de ter contato com as pessoas, um contato menos formal. A ferramenta tira a austeridade que muita gente tem da figura do padre e isso leva muita gente para Deus. É engraçado. As pessoas querem contar a vida toda em 140 caracteres. No meu Twitter tem as velhinhas católicas, mas boa parte veio de lugares inusitados. Tem evangélicos, céticos, pessoas que não gostam do discurso religioso, mas aceitam os valores.
O que o senhor acha da iniciativa do Papa em relação à Igreja Anglicana?
Para ser sincero, ainda não li bastante sobre o assunto. Prefiro não comentar. Mas assim que eu me aprofundar, quem sabe não vira o tema de uma coluna aqui no jornal. Muitas pessoas ainda não entenderam.
Mas o que o senhor acha do celibato no sacerdócio?
Sou totalmente a favor do celibato dos padres. Todas as escolhas da vida têm restrições e possibilidades. Encaro muito bem as restrições e as possibilidades que a vida de padre me proporciona. Ninguém me disse que seria diferente. Sou consciente e tranquilo para viver isso sem problemas.
Quando o senhor vem ao Rio de Janeiro?
Tenho um show marcado para o dia 14 desse mês na quadra da Beija Flor de Nilópolis. Mas o evento não tem nada a ver com o carnaval, apenas foi um lugar cedido pela comunidade. De qualquer maneira, estou feliz, porque sou Beija Flor. Mas não tenho problemas quanto a isso. Já cantei na Portela também (risos).
No seu livro, Mulheres cheias de graça, lançado esse mês, há um trecho do samba da Portela. Por quê?
No livro, fiz uma dedicatória a uma grande amiga do Rio de Janeiro, a Beth. Escrevi "à pessoa que acendeu 21 estrelas dentro de mim", que é um trecho do samba enredo desse ano. Quando ouvi pela primeira vez esse samba, ela estava comigo e decidi dedicar a ela. Ela é portelense e gostou. Tenho muitos amigos no Rio. Foi o local onde gravei meu DVD e tenho ótimas lembranças.
O que os leitores de O DIA podem esperar ?
Alguém que quer fazer o bem através da escrita.
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