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18.05.09 às 09h38 > Atualizado em 18.05.09 às 09h44
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Maristela Kubitschek: 'Gostaria que a Mocidade homenageasse Brasília'

Bruno Filippo
(Especial para o Dia na Folia)



Filha de Juscelino Kubitschek, o presidente que mudou a capital do Rio para Brasília, a arquiteta Maristela  Kubitschek  mantém-se ligada às duas cidades. Aos 67 anos, mãe de três filhos e avó de duas netas, mora na Zona Sul do Rio – e acompanha  escolas de samba desde a época em que elas desfilavam na Avenida Rio Branco. Considera 'de valor histórico importantíssimo' iniciativa de do Governo do Distrito Federal de patrocinar o enredo sobre o cinquentenário de Brasília. E não se furta a revelar sua predileção pela escola de Padre Miguel. Abaixo, a entrevista que concedeu a 'O Dia na Folia':
 
Como vê o fato de Brasília ser enredo em 2010 na Sapucaí?
Maristela Kubitschek – Vejo como um valor histórico importantíssimo, pois as escolas de samba, para além da alegria, têm valor cultural, desfilam com temas históricos, exercem um papel educativo.  Ser homenageada em seu cinqüentenário num desfile de escola de samba é o reconhecimento, pela cultura popular, da importância de Brasília.
 
Qual a escola seria a ideal para fazer esse enredo?
Maristela Kubitschek - A única escola que procurou foi a Mocidade Independente de Padre Miguel, no ano passado ainda, antes do carnaval, mesmo sabendo que eu não tenho o poder de escolher. Isso me deixou muito emocionada, porque a escola teve a consideração de apresentar o projeto do enredo a um membro da família do papai. Aliás, foi a Mocidade quem teve primeiro a ideia de homenagear o cinquentenário de Brasília. Sou Mangueira, mas gostaria muito que fosse a  Mocidade, por esse motivo e por outros, históricos.
 
Quais os motivos históricos?
Maristela Kubitschek - Uma coisa que me deixou muito emocionada foi lembrar que a Mocidade esteve na inauguração de Brasília, em abril de 1960. Foram muitas as festividades, e a Mocidade estava lá. Era uma escola muito jovem, com apenas cinco anos de idade, não era ainda tão conhecida como hoje. Jovem era Brasília, jovem era a cabeça do papai, jovem era a Mocidade. Além disso, há uma correlação histórica: a Mocidade foi fundada em 1955, mesmo ano da eleição do papai para a presidência da República. E o que é mais curioso: foi no dia 11 de novembro, mesmo dia do Golpe Preventivo, o movimento militar que garantiu a posse do papai e a democracia no Brasil. Isso é muito bonito! Sei que o governo do Distrito Federal ainda não decidiu, sei que há uma indefinição grande, mas repito: gostaria muito que fosse a Mocidade a prestar homenagem a Brasília.
 
A senhora gosta de escola de samba?
Maristela Kubitschek – Gosto muito! Quando papai era presidente, as escolas desfilavam na Avenida Rio Branco, e eu, mamãe (Sarah)  e minha irmã (Márcia) éramos convidadas para assistir ao desfiles das sacadas dos edifícios. E a minha vontade era de estar lá embaixo. Sempre acompanhei escola de samba. A Mocidade sempre me encantou muito, gostava da bateria do mestre André. Comecei a torcer pela Mangueira em 81, ainda na ditadura militar, porque a escola homenageou o papai em seu desfile. Fui à escolha do samba, e meus filhos passaram a desfilar na Mangueira a partir de então.
 
A senhora vai desfilar?  
Maristela Kubitschek – Eu só desfilei uma vez, na Unidos do Jacarezinho. Meu marido (Rodrigo Lopes, filho de Lucas Lopes, ministro da Fazenda de JK) tinha feito melhorias na comunidade da escola, por isso fomos convidados a participar do desfile. Desfilei toda de branco. Acho que, em 2010, não desfilarei. Prefiro assistir a todo o desfile. É mais emocionante.

 
 
 

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