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17.07.09 às 01h40 > Atualizado em 17.07.09 às 01h44
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Casa nova vira realidade no Morro da Providência

Três famílias recebem hoje imóveis através do projeto Cimento Social. Unidade-modelo, construída há dois meses, mudou a vida de uma moradora da comunidade

Rio - A casa de Cisleia Bento, 44 anos, estava com os dias contados no Morro da Providência. O telhado ameaçava desabar e as paredes descascadas e rachadas pareciam anunciar uma tragédia. Para alegria da moradora, por incrível que pareça, o barraco veio abaixo há quase dois meses. É que operários abriram espaço para erguer para ela a casa-modelo de dois pavimentos do projeto Cimento Social. “Não tinha condições de arrumar a casa antiga. Agora está tudo no lugar”, vibra Cisleia, que, além da moradia, recebeu toda a mobília e roupas de cama, mesa e banho. Hoje, mais três casas serão entregues na comunidade.

Confira o antes e o depois. Fotos: Reprodução e Paulo Alvadia / Agência O DIA

A casa antiga de Cisleia estava cheia de goteiras e representava um risco para os três filhos e dois netos. “A gente dormia na sala. Hoje tenho o meu quarto”, festeja o filho Diego, 20 anos, que guardava as roupas em parte do armário da mãe. Agora, ele tem o próprio armário.

A casa serviu como modelo para as obras do Cimento Social. Das 7h de segunda-feira até quarta-feira à noite, operários ergueram três casas no mesmo padrão, com 60 m², dois quartos (com possibilidade para se transformarem em três), sala, banheiro, cozinha moderna e área de serviço.

O engenheiro Fernando Meira, que comanda o canteiro de obras, explica que cada unidade custa R$ 50 mil, o que inclui desde a mobília ao jardim. A construção de casa é a última alternativa. O projeto já reformou 55 unidades.

Com isso, a Providência ganhou novo aspecto. Na parte baixa, estão as unidades pintadas de palha. No meio, as de verde. Na superior, onde a reforma ainda ganha terreno, o salmão tomará conta.

O projeto estava parado desde o ano passado, depois da saída do Exército do morro. O senador Marcelo Crivella, que levou a ideia ao presidente Lula, retomou as obras com recursos da venda de seus CDs cantando hinos gospel. A expectativa é que, com a construção das unidades, o Ministério das Cidades volte a adotar o Cimento Social.

É uma possibilidade de vida nova para moradores como Sérgio dos Santos, 46 anos, há 28 na Providência. Ele estava desempregado há 8 meses. “Tenho um casal de filhos e preciso comprar fralda, leite e remédio. Eu perdia o sono”, conta ele, que trabalha nas obras e voltou a ter conta bancária.

Até as mulheres põem a mão na massa. Depois de perder emprego como fiscal de van, há dois meses, Verônica Santos, 27, passou a trabalhar como servente no Cimento Social: “Espero que o projeto chegue logo até a minha casa, que precisa de pintura. Mas já fico feliz em ver a melhora dos vizinhos”.

Imóveis erguidos em três dias e com nova tecnologia

As casas que serão entregues hoje, com a presença do senador Crivella, foram construídas em três dias com a tecnologia de encaixe de placas de argamassa. Mas os operários do Cimento Social que pegaram no pesado têm desafio maior pela frente. “Temos material para erguer outra casa. Tentaremos construí-la em apenas dois dias. Queremos bater nosso recorde!”, conta o engenheiro Fernando Meira, responsável pelas obras.

A técnica está sendo aperfeiçoada. As placas pré-fabricadas são montadas em guias fixadas nas fundações. Em 72 horas, a moradia fica pronta. “O quarto dia pode ser usado para pôr a mobília, arrumar o jardim e dar os últimos retoques”, explica Fernando.

Tanta agilidade surpreende. “Passei semana passada aqui e não tinha nada. É maravilhoso ver as casas prontas e os trabalhadores com dinheiro no bolso”, festeja Eugênia Mendes, 64, ansiosa pela reformas da casa, na Rua da Bica: “Lá nem tem água, apesar do nome.”

 
 
 

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