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02.07.09 às 16h17 > Atualizado em 02.07.09 às 18h15
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Motorista da van: 'Eles eram todos os meus anjinhos'

POR GERALDO PERELO, RIO DE JANEIRO

Rio - Após deixar a 37ª DP (Ilha do Governador), o motorista Carlos Alberto Rodrigues de Souza, responsável pela van que se envolveu em um acidente na Linha Vermelha, matou quatro crianças e feriu seis pessoas, pediu desculpas às famílias das vítimas, nesta quinta-feira, e afirmou lamentar muito o ocorrido.

Foto: André Luiz Mello / Agência O Dia
Motorista lamenta morte das crianças e pede desculpas aos pais | Foto: André Luiz Mello / Agência O Dia

"Todos eram os meus anjinhos. Tem crianças ali que eu transportava há 8 anos e eu os tinha como meus filhos. Vi estas crianças crescerem", disse.

O motorista recebeu, da Justiça, ainda na madrugada desta quarta-feira, a liberdade provisória e responderá pelo processo livre. O juiz Rodrigo Faria de Sousa considerou que "muito embora gravíssimas as conseqüências das condutas imputadas ao preso", deve ser mantida a regra geral de preservar o direito de liberdade do indivíduo, uma vez que não há circunstâncias que justifiquem a prisão preventiva. Segundo a decisão do magistrado, o réu é primário e possui domicílio fixo.

Carlos Alberto foi preso em flagrante pela suposta prática dos crimes de homicídio e de lesão corporal culposa.

Na tarde desta quarta-feira, a van guiada por Carlos Alberto colidiu com um reboque da Prefeitura causando um grave acidente na Linha Vermelha, sentido Baixada Fluminense, altura da Infraero, por volta das 12h50. Morreram Raiane da Silva Souza, 14 anos, Vinicius Lopes da Silva, 11 anos, Esther Reis Fernandes da Rocha, 8 anos, e André Lucas Couto Teles, 7 anos.  Todas as crianças estudavam no Colégio Pedro II, em São Cristóvão e iriam para casa.

Muito abalado, Carlos Alberto disse que ainda não tem a noção exata do que acidente provocará em sua vida. Segundo ele, a situação é inédita, pois nunca havia entrado em uma delegacia e muito menos passado a noite atrás das grades.

"Minha ficha ainda não caiu. Gostaria de voltar no tempo, mas não posso", completou.

O motorista alega que tentou tirar o carro para não bater no reboque, mas, ao tentar mudar para a faixa da esquerda, outro veículo veio em sua direção. Assim, foi forçado a voltar para a direita, mas nada mais pôde fazer para evitar o acidente.

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Cena de destruição no local do acidente entre a van escolar e um reboque da Prefeitura | Foto: Ernesto Carriço / Agência O DIA


Explicações para documentação atrasada

A tristeza de Carlos Alberto não pode ser medida. Pai de filhos gêmeos, de 25 anos, e uma menina de 21, ele tentou explicar, mesmo com dificuldades, as razões de seu veículo não apresentar documentação em dia. O motorista tentou minimizar o problema afirmando que não pôde fazer a vistoria de 2008, por falta de tempo e defeitos mecânicos, já que seu carro é registrado em Cabo Frio.

O último licenciamento anual de seu carro foi em 2007. Ele explica que, no ano passado, o motor de sua van quebrou, não permitindo assim que ele fizesse a loga viagem para o Detran da Região dos Lagos. Ele afirma ser habilitado desde 1976 e que é proprietário da van desde 1997.


Motorista admite que crianças poderiam estar sem cinto

Carlos Alberto admitiu que as crianças poderiam estar sem cinto de segurança, pois são muito agitadas e teriam condições de tirar a proteção a qualquer momento da viagem.

A delegada Leila Goulart de Souza, titular da 37ª DP, afirmou que vai dar uma cópia do inquérito para a Secretaria de Transportes para que as devidas providências sejam tomadas. Ela acredita que o órgão possa punir o motorista fora da instância criminal.

Leila Goulart disse, ainda, que tentará convocar a direção da escola e da Associação de Pais e Alunos para depor nesta sexta-feira, mas considera que seja difícil conseguir. Na segunda-feira será a vez dos pais. A delegada baseou-se no depoimento do motorista, que afirmou pagar anuidade de R$ 76, para a associação, que concede a licença para o transporte das crianças.

Em nota, o Colégio Pedro II afirmou que nunca recebeu dinheiro para indicar motoristas. Segundo Gentil José Sales Machado,  diretor substituto, o Pedro II não tem vínculo com a APA.

 
 
 

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