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02.09.09 às 02h54 > Atualizado em 02.09.09 às 09h33
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Cemitério da milícia: Buscas por mais vítimas continuam

POR LESLIE LEITÃO, RIO DE JANEIRO

Rio - As investigações da DH-Oeste indicam que o cemitério clandestino pode haver mais do que os cinco corpos da família da testemunha que acabou morta. O verdadeiro objetivo dos milicianos da Liga da Justiça seria assassinar V.. Ele e outro rapaz foram testemunhas de uma outra chacina na Favela do Barbante, em agosto do ano passado, quando sete pessoas foram executadas pelos paramilitares.

Foto: Severino Silva / Agência O DIA
Com auxílio de PMs da Companhia de Cães, bombeiro e guardas municipais, policiais localizam corpos

Uma dessas testemunhas, Leonardo Baring foi assassinado dois dias depois de a família da outra testemunha ter sido morta. Um de seus irmãos, que presenciou o crime, também entrou no programa de proteção à testemunha.

>>Veja imagens do cemitério clandestino

No dia 13, a polícia já tinha conseguido dar um importante passo para tentar solucionar o massacre da família de V., ao prender um dos líderes da quadrilha na comunidade, Reinaldo Ramos Lobo, Sprinter. Outros bandidos que teriam participado do sequestro do militar e de sua família foram identificados pelos apelidos de Ling, Pif, Da Cordinha e Gorilão. Quase todos são, segundo a polícia, ex-traficantes da Zona Oeste que se aliaram à milícia.

“É importante encontrarmos os corpos porque agora temos materialidade do crime. Eles não imaginavam que encontraríamos os corpos”, afirmou o delegado.

Descoberto cemitério clandestino da milícia

'Tudo isso é muito triste. Mas é melhor que seja assim, porque acaba nosso sofrimento de uma vez por todas’. Foi assim que V., de 22 anos, reagiu, no fim da tarde de ontem, ao reconhecer informalmente o corpo do pai, o sargento reformado do Exército Vicente de Souza, de 90 anos. O corpo do militar — capturado por milicianos com três parentes e um vizinho, em 30 de junho — foi encontrado ontem, enterrado em um cemitério clandestino descoberto pela Delegacia de Homicídios da Zona Oeste (DH-Oeste), num estaleiro abandonado, nos fundos da Favela do Barbante, em Inhoaíba, Campo Grande.

Após dois meses de investigação, a Polícia Civil chegou ao local indicado numa denúncia. Na segunda-feira, as primeiras buscas foram feitas, mas nada foi encontrado. Ontem, com a ajuda da Companhia de Cães da Polícia Militar, do Corpo de Bombeiros e da Guarda Municipal, dois corpos foram achados, além de um crânio e um pedaço de fêmur.

“Os parentes reconheceram pelas fotos o corpo que seria o do senhor Vicente. Ele estava algemado com as mãos para trás e com um tiro no crânio. Agora, vamos colher DNA para obtermos uma prova científica, além da testemunhal”, afirmou o delegado Antônio Ricardo, titular da DH-Oeste.

As buscas, no entanto, devem continuar hoje, a partir das 8h. Bombeiros usarão máquinas para tentar esvaziar sete cisternas que concentram mais de 100 mil litros d’água. Há denúncias de que haveria corpos nesses locais. Uma retroescavadeira também deverá ser utilizada no trabalho.

Os policiais acreditam que o outro corpo seria de um jovem de 24 anos, que cursava medicina. Ele seria enteado do militar desaparecido. Agora, as buscas se concentram para tentar localizar pelo menos outros três corpos: o da mulher do aposentado, Maria José, do irmão dela, conhecido como Carlinhos, e de um vizinho, que teria presenciado o massacre e também teria sido executado pelos milicianos.

Os corpos foram levados para o Instituto Médico-Legal, onde a família fará o reconhecimento oficial: “Vamos agora tentar fazer um enterro digno para o meu pai”, afirmou V..

 
 
 

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