Quissamã: Três mil litros de cachaça ao dia nos Alambiques
E a reunião dos representantes de alambiques, anualmente, visa, apenas, aumentar a capacidade de produção das destiladoras
Quissamã - O Município de Quissamã está aumentando cada vez a sua capacidade de produção de derivados da cana de açúcar, agregando valor ao produto. Quem ressaltou essa situação foi o secretário de Desenvolvimento Econômico e Turismo do município, Haroldo Cunha Carneiro, durante o 3º Encontro Anual dos Alambiques. “O objetivo da reunião é aproximar investidores para o desenvolvimento da produção de cachaça de alambique, além de abrir possibilidades para o escoamento da produção local”, explicou.
Atraindo profissionais (mais de 50 produtores e empresários) de municípios do Estado e até de Minas Gerais, Espírito Santo e Rio Grande do Sul, a reunião no Espaço do Agricultor permitiu a troca de informações entre os participantes. No resumo da produção de Quissamã, Haroldo disse que o município produz a média de 3 mil litros/dia de cachaça e 2 mil kg de açúcar mascavo, rapadura e melado. “A perspectiva é dobrar esta produção em 2010”, avaliou, falando do trabalho de qualidade dos três alambiques instalados no município: Quissacana, Cachaça Artesanal do Zeca e Cachaça Tombos.

Foto: Divulgação
VISITAS
O Encontro dos Alambiques permitiu aos participantes observarem de perto a capacidade de produção da cachaça local. Depois de um café da manhã no Espaço do Agricultor, os produto</IP>res e empresários seguiram para visitas aos três alambiques, começando pelo Cachaça Tombos, no Centro de Tecnologia de Engenhos (CTE). Funcionando na localidade rural de Canto de Santo Antônio, o CTE também possibilita o conhecimento e pesquisa, com salas de aula para os produtores. A Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) e o Cempes (Centro de Pesquisa da Petrobras) são parceiros da prefeitura na pesquisa do etanol de segunda geração (oriundo do bagaço da cana).
O passeio seguiu o Caminho dos Engenhos, chegando, primeiro, ao Alambique Quissacana, do produtor João de Nilo. Atualmente, o empreendimento produz 680 l/d de cachaça, além de melado, a partir da compra de 1.300 toneladas de cana de açúcar de pequenos produtores, gerando emprego para 10 pessoas. Em seguida, os visitantes foram para a Cachaça do Zeca, com produção de 600 l/d de cachaça e 100 l/d de melado. “O encontro está formando uma imagem positiva de Quissamã, onde a cachaça é feita com qualidade”, disse o produtor do alambique, Diogo Peralta.
CONQUISTA
“Tudo o que está sendo realizado no CTE e o empenho dos alambiques tem que servir de exemplo pa</IP>ra o Brasil, produzindo cada vez mais e melhor”, disse o carioca João Luiz Farias, produtor da Cachaça Magnífica, cotada como a 5ª melhor do país e a 1ª do Estado, de acordo com o ranking da revista Playboy. “A cachaça de alambique é superior em custo e em sabor”, ressaltou, lembrando ser também importante desenvolver a capacidade de escoamento. Ele conhece bem o assunto. A Magnífica conquista o mercado com a venda de 150 mil l/ano, com produção no limite entre Vassouras e Miguel Pereira (no sul do Estado) e distribuição no Rio de Janeiro.
De olho em negócios, o empresário Écio Lappaus, do Município de Serra (ES), produtor das cachaças Mestre Álvaro, Cana 10 e Muribeca, está interessado em produzir em Quissamã ou negociar sua unidade para empreendedores locais.
SINÔNIMOS
A cachaça, tão procurada pelos brasileiros para comemorar a vitória ou chorar a derrota, tem outros nomes por todo o Brasil. É uma infinidade de exemplos: arrebenta-peito, birita, cura-tudo, fecha-corpo, homeopatia, imaculada, lindinha, remédio, tira-teima e xarope de bêbado. Nos estados brasileiros, o nome da cachaça varia de acordo com a região. Na Bahia é amorosa e na Paraíba é penicilina; no Rio de Janeiro pode ser marafo ou parati e em São Paulo, cobertor de pobre e tira-juízo. No sul do país é gasolina, ariranha ou mulata.
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