Terminais vão desafogar Niterói
Urbanista Jaime Lerner apresentou ao prefeito Jorge Roberto o planejamento para disciplinar trânsito e transporte
Niterói - Cinco terminais de integração, dois mergulhões, reversíveis e mudanças de mão em diversas vias fazem parte do projeto do arquiteto Jaime Lerner para trazer melhorias ao trânsito e ao transporte de Niterói. O prefeito Jorge Roberto Silveira definiu as propostas como “audaciosas, mas realistas”. O total de investimentos chega a R$ 205 milhões, dos quais R$ 120 milhões virão de contrapartida da iniciativa privada e os R$ 85 milhões restantes serão providos pelo setor público, que, de acordo com o prefeito, deverá contar com ajuda do estado e da União.
Lerner defende que a melhoria nos transportes públicos é o principal fator para resolver os engarrafamentos. Ele anunciou a implantação dos terminais de integração no Centro, Piratininga, Charitas, Caramujo e Largo da Batalha, que receberão ônibus alimentadores de diversos pontos. Com isso, segundo Lerner, mais pessoas deverão optar pelos ônibus, que passarão em intervalos curtos de tempo. “À medida que o serviço fica melhor, mais pessoas vão utilizá-lo e isso vai gerar benefício até para quem vai de carro”, afirma Lerner.
MERGULHÕES
A frota de veículos de transporte público no município poderá ser reduzida, sem causar prejuízos à população, segundo Jaime Lerner. Ele calcula que atualmente 600 ônibus circulam dentro da cidade e que 275 mil pessoas se utilizam do serviço em cada dia útil. “É necessário racionalizar e melhorar a oferta”, conclui. Nos terminais serão construídas espécies de tubos, onde os passageiros poderão comprar as passagens antes da chegada do veículo, agilizando o embarque.
Estas plataformas ficarão no mesmo nível da porta dos ônibus, o que também economiza tempo. Lerner diz que, dependendo do numero de passageiros que utilizam cada um dos terminais, o número de tubos poderá dobrar ou triplicar.
VAGAS PARA TODOS
Ainda em defesa de um transporte público de qualidade, o responsável pelo projeto não se preocupou em criar mais vagas de estacionamento nas ruas da cidade. “Se existe um bom sistema, a cidade não sofre com problemas de estacionamento”, avalia, acrescentando que o projeto deve ser implementado independente da criação da Linha 3 do metrô, já que, segundo ele, não se deve sacrificar este tempo até as obras começarem.
Outro ponto que chamou a atenção do arquiteto e de sua equipe foi a necessidade de melhorar o fluxo na saída da Ponte Rio-Niterói nos horários de rush. A sugestão é esta: a Rua Marquês de Paraná ganhará novos semáforos, faixas reversíveis e um mergulhão exclusivo para ônibus, em frente ao Hospital Universitário Antonio Pedro — projeto que também será implantado na Avenida Feliciano Sodré, em frente à Praça da Renascença, próximo ao antigo terminal de trens. As ações deverão ajudar no escoamento de veículos em direção à Zona Norte da cidade.
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