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03.11.09 às 01h12

Boca no Mundo: Soy loco por ti, Ceviche

POR PEDRO LANDIM, RIO DE JANEIRO

Rio - O avião tinha a dimensão de uma van, e o medo a cada rasante só não era maior do que o visual improvável do deserto seco e árido, que terminava em falésias sobre um Oceano Pacífico azul e agitado. Mais alguns minutos de voo, e um início de vegetação adivinhava a Cordilheira dos Andes. Depois, a indescritível Machu Picchu, na viagem por algumas das paisagens mais impressionantes que já me passaram na frente dos olhos.

Como um Pizarro ao avesso, guloso e bem intencionado, me interessava conquistar na mesa os peixes peruanos, que dos ‘malvados’ espanhóis ganharam perfumes de coentro, alho, cebola e, sobretudo, limão. Em linhas gerais, estava ali o ceviche, mais famoso prato do país onde, entre outros vegetais cultivados há milênios, nasceram as variadas batatas.

Exportado para o mundo todo e elemento inspirador de todos os grandes chefs contemporâneos, o peixe ‘cozido’ no limão, ou suco de outros cítricos, é uma delícia que requer poucos ingredientes, entrada barata e fácil de se fazer, que aguça o apetite como poucas.

Basta o filé limpo de um peixe branco — o linguado é um clássico —, cortado em cubinhos, que vai curtir durante meia hora nos sucos. É a maior curtição, principalmente quando temperado com azeite, pimentas frescas, cebola roxa cortada o mais fino possível e coentro, essa erva de perfume inconfundível — até mesmo incômodo, se mal utilizada — que casa com o peixe à perfeição.

Batatas doces cozidas, ou fritas, para dar crocância, e um pouco de milho tornam o prato ainda mais peruano. Para incrementar a entrada na mesa, pensei num Guacamole fresquinho, que utiliza praticamente os mesmos ingredientes aromáticos do ceviche, com o abacate no lugar do peixe.

Tudo combina perfeitamente nessa mistura de sabores ácidos, doces e picantes, para se comer ao som de ‘Soy Loco Por Ti, America’.

 
 
 

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