Márcia Brasil
Rio - O Disque-Milícia (0800 28 20 376), criado há 45 dias pela CPI da Alerj que investiga a atuação dos grupos paramilitares no estado, já recebeu mais de 700 denúncias sobre as ações de milicianos durante esse período. Do total, 90% da informações são confiáveis, segundo o presidente da CPI, deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL). “As ligações são muito importantes porque é a forma de a população participar. Sabemos que esses grupos (milicianos) operam muito com a lógica do terror. E essa é a melhor maneira das pessoas contribuírem com as apurações sem colocar suas vidas em risco”, ressaltou Freixo.
Outra medida que poderá facilitar as investigações sobre as organizações criminosas, como os grupos paramilitares, é a criação da Câmara Estadual de Repressão ao Crime Organizado (Cerco) proposta pelo titular da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), Cláudio Ferraz, conforme noticiou ontem o ‘Informe do DIA’.
Em razão das informações passadas ao Disque-Milícia e a depoimentos de autoridades e especialistas, os deputados elaboraram um mapa da atuação dos grupos de milicianos, que controlam territórios, exploram serviços ilegais — como TV a cabo clandestina e segurança irregular. Os bandos são liderados, em geral, por agentes das forças de segurança do Estado.
Freixo acrescentou que o serviço funciona de segunda à sexta-feira, das 10h às 17h, e que as ligações são recebidas por integrantes do Ministério Público e da Polícia Civil com especialização na área de inteligência. “É claro que existe a contra-informação. Mas o grupo que atende as chamadas tem experiência no segmento de inteligência, não há perda de tempo com informações sem valor. E o autor da denúncia não é identificado”, disse.
Proposta da Cerco vai ao MPE e ao TJ
A proposta da Cerco, a Câmara Estadual de Repressão ao Crime Organizado, é facilitar as investigações sobre organizações criminosas criando aproximação entre policiais, promotores e juízes. A idéia, aprovada pela Secretaria de Segurança, sugere também o reaparelhamento da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), além da criação de varas especializadas no combate ao crime organizado.
O titular da Draco, delegado Cláudio Ferraz, vai levar a proposta ao Tribunal de Justiça e ao Ministério Público Estadual. As atividades criminosas visadas pela proposta de criação da Cerco são as milícias, o tráfico de drogas, as quadrilhas especializadas em fraudar licitações públicas e as máfias de caça-níqueis e combustíveis.