Rio - "As imagens dizem tudo. Fiquei indignado demais, como cidadão e como secretário. Melhor ainda é que sou secretário, com poder para exonerar". Assim o secretário estadual de Saúde e Defesa Civil, Sérgio Côrtes, reagiu ao saber da denúncia da queima de donativos, dando a entender que a ordem para a demissão do coronel Djalma Souza Filho partiu dele. Segundo o secretário, a missão do novo diretor-geral da Defesa Civil, que será empossado neste domingo, vai se inspecionar os depósitos de donativos, avaliar o material e dar destino a ele. O comandante-geral do Corpo de Bombeiros, coronel Pedro Machado, não quis comentar o fato, alegando que a autoridade máxima (Côrtes) já tinha dado declarações.
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Entenda o caso

A denúncia da incineração de roupas e brinquedos doados para as vítimas de enchentes, feita ontem por O DIA, levou à exoneração do diretor-geral da Defesa Civil, coronel Djalma Souza Filho. Imediatamente após ver a reportagem — que mostra toneladas de donativos amontoados e parte deles já numa fogueira —, o subsecretário de Defesa Civil e comandante do Corpo de Bombeiros, coronel Pedro Machado, determinou o afastamento e a abertura de uma sindicância interna.
TV O DIA: Veja o momento da fogueira dos donativos
O substituto será anunciado amanhã e terá como missão “revisar todo o procedimento de recebimento, armazenagem e distribuição das doações”. No Rio Grande do Sul, chega a 12 o número de mortos pelas chuvas da última semana e há 2.600 desalojados.
Prefeito acha fato lamentável
O prefeito Eduardo Paes ficou chocado com o descaso da Defesa Civil e dos bombeiros com o material doado aos desabrigados. Ao ver a reportagem, falou sobre o episódio: “Não tinha conhecimento deste fato. Mas é lamentável. Com certeza, o comandante da Defesa Civil vai dar explicação sobre isso e vamos apurar”, disse Paes.
Fotos do descuido com as doações
Novo presidente da Comissão de Defesa Civil da Alerj, o deputado Flávio Bolsonaro defendeu o coronel Djalma Souza Filho. Disse que o episódio serve de lição. “Servirá de lição para o Estado, que não tem instalações adequadas para receber doações. Estive no local em dezembro para entregar as doações da Alerj e vi que roupas e objetos estavam em péssimas condições, cheguei até a ver o carrinho citado na matéria”, conta.
Bolsonaro afirmou que não “atinou para estes detalhes”, concentrando seus esforços para entregar rapidamente as doações às pessoas desabrigadas. Amanhã, ele visitará o local. Segundo Bolsonaro, o próximo passo será fiscalizar os R$ 130 milhões doados pela Alerj às prefeituras.