Rio - O subsecretário estadual de Governo, Rodrigo Bethlem, foi uma das atrações ontem durante a seção criminal do Órgão Especial, do Tribunal de Justiça. Ele e o chefe de gabinete do deputado Natalino, Kennedy Santos Aragão, depuseram no processo que o vereador Jerônimo Guimarães, o Jerominho — irmão de Natalino — e outros nove acusados de pertencer à Liga da Justiça respondem por formação de quadrilha.
Bethlem e Aragão foram testemunhas de defesa de Jerominho em um dos homícidios que constam no processo, ocorrido na Estrada da Margaça, em 2005. Na ocasião, disse Bethlem, o vereador e o subsecretário estavam em um mesmo evento na Zona Oeste na mesma hora em que teria acontecido o homicídio.
Na sessão, foi interrogado o ex-soldado da Aeronáutica Fábio Pereira de Oliveira, o Fábio Gordo, preso com Natalino na segunda-feira.
Algemado, com a calça jeans azul e a camiseta branca usados por detentos, Natalino entrou no plenário descontrolado, com as mãos levantadas e exibindo as algemas. “Sou inocente, fizeram uma covardia”, gritou ele, que foi ameaçado de prisão pelo juiz Paulo César Vieira de Carvalho Filho, por causa do tumulto. A mulher do deputado, Vera Guimarães, acompanhou toda a audiência de mãos dadas com o marido.
Ao juiz, Fábio contou que trabalhou nas campanhas de Natalino e Jerominho, mas que nunca foi às casas deles. Ele disse que foi preso quando seguia para a residência de sua mãe, onde deixaria sua pistola 380. O acusado afirmou que seria morto ao ser abordado próximo ao West Shopping pelos PM Francisco César Silva Oliveira, o Chico Bala, o ex-PM Herbert Canijo da Silva, o Escangalhado, e o sargento bombeiro Carlos Alexandre Silva Cavalcante, o Gaguinho. Fábio diz que foi salvo por policiais da Core e disse que Escangalhado o jurou de morte por acreditar que foi ele quem o delatou por envolvimento com transporte alternativo na Zona Oeste.
ACUSAÇÃO A DELEGADO
No fim da audiência, o advogado Ésio Lopes solicitou ao juiz a inclusão, no processo, de uma reportagem publicada terça-feira em O DIA, na qual um carro clonado aparece na porta da 35ª DP. Segundo ele, o carro seria usado pelo delegado Marcus Neves, titular da unidade. O advogado disse que entrará com processo contra o policial por causa da presença de Gaguinho, Escangalhado e Chico Bala nas investigações, além de tudo com roupas e armas da Polícia Civil.