Alerj, Câmara e PDT vão discutir afastamento dos políticos Natalino, Jerominho, Girão e Geiso
Thiago Prado e João Antonio Barros
Rio - O indiciamento de 11 chefões da milícia do Rio por extorsão e lavagem de dinheiro complicou a vida dos envolvidos nos Legislativos municipais e estadual. Após o levantamento de O DIA sobre bens de paramilitares e a acusação formal da Polícia Federal, as Casas prometem se mobilizar para discutir a cassação dos mandatos de quatro políticos: o deputado estadual Natalino José Guimarães (sem partido) e os vereadores Geiso Pereira Turques (PDT), de São Gonçalo; Jerônimo Guimarães Filho, o Jerominho (PMDB), e Cristiano Girão (PMN), ambos do Rio, o último ainda não empossado. Apontados como líderes da ‘Liga da Justiça’ — grupo miliciano que atua em Campo Grande —, os irmãos Jerominho e Natalino ainda terão mais uma dor-de-cabeça nos próximos dias. A pedido da Secretaria de Segurança, a dupla poderá ser transferida para um presídio de segurança máxima em outro estado até o fim da semana.
Eleito com 10.445 votos, o sargento bombeiro Cristiano Girão poderá ser o primeiro a ter que se explicar ao Conselho de Ética da Câmara do Rio, ano que vem. O projeto que cria a estrutura é de autoria da vereadora Teresa Bergher (PSDB) e já foi aprovado em primeira discussão. Assim que assumir, em 1º de janeiro, o militar será chamado para dar explicações sobre as acusações de chefiar a milícia de Gardênia Azul e enriquecer ilicitamente. “Se a polícia concluiu que houve lavagem de dinheiro dele (Girão), é claro que é uma situação para ser analisada pelo conselho. Pelo projeto, uma comissão de sete membros vai se encarregar d o caso”, disse Teresa.
Já o destino de Jerominho na Câmara será definido nos próximos dias. O vereador — preso desde dezembro em Bangu 8 — alcançou a marca de 53 faltas em sessões ordinárias, acima de um terço do permitido. Até quinta-feira ele tem que apresentar defesa por escrito à Casa sobre as ausências. A decisão caberá à Mesa Diretora. O mandato de Jerominho acaba no mês que vem.
Reeleito em São Gonçalo com 12.567 votos, o sargento da PM Geiso Pereira Turques enfrentará problemas no seu partido. A deputada estadual Cidinha Campos (PDT) diz que o presidente da legenda, o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, já autorizou a expulsão do policial assim que a CPI das Milícias for concluída. “Sou a favor da expulsão dele. Os indícios de envolvimento com milícia são muito fortes. Não é possível termos gente assim no partido”, reclamou.
Ontem, na Assembléia Legislativa, a Corregedoria propôs a abertura do processo de cassação contra Natalino José Guimarães por quebra de decoro parlamentar. No entanto, a Mesa Diretora decidiu aguardar a decisão do Tribunal de Justiça (TJ) sobre o processo criminal contra o deputado para decidir se abrirá procedimento.
ALTA MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA
Os anos de 2005 e 2006 foram de ouro para a milícia no Rio. Quase todos os 11 indiciados por lavagem de dinheiro e extorsão pela Polícia Federal registraram nesse período a maior movimentação financeira. Coincidência ou não, foi justamente nessa época que a repressão foi mínima, segundo os depoimentos de testemunhas aos parlamentares da CPI das Milícias.
Cristiano Girão viu suas contas bancárias saltarem de R$ 267 mil em 2004 para R$ 532 mil no ano seguinte — quase o dobro. Isso ocorreu, apesar de em 2005, o bombeiro ter declarado à Receita Federal ter ganho menos de R$ 39 mil em rendimentos — uma bagatela perto do que a PF descobriu em suas contas.
Já o ex-sargento da PM, Dalmir Pereira Barbosa, investigado por ligação com a milícia de Rio das Pedras, é o recordista em transações financeiras. Em 2006, passaram por suas contas R$ 813 mil, um vertiginoso salto diante de 2004, quando a PF descobriu que ele movimentou R$ 147 mil.
O irmão de Dalmir, o jornalista Dalcemir Pereira Barbosa também chamou a atenção da PF: a diferença entre transações bancárias entre 2004 e 2006 foram de R$ 592 mil (respectivamente: R$ 90 mil e R$ 682 mil). Ele é outro indiciado que declarou ao Leão ter ganho uma migalha como salário. Enquanto por suas contas passaram mais de R$ 500 mil em 2006, no mesmo ano disse que teve renda de menos de R$ 26 mil.
O deputado Natalino José Guimarães também surpreendeu analistas da PF. Se em 2004 só movimentou R$ 26 mil, dois anos depois as suas contas registraram a entrada de R$ 137 mil. No período, ele não era ainda parlamentar. Vivia apenas do salário de inspetor de polícia: R$ 36 mil de renda anual.