Márcia Brasil e Alfredo Junqueira
Rio - Cassado há dois dias por 36 dos 70 ‘colegas’ da Assembléia Legislativa do Rio (Alerj) e perto de perder o cargo de delegado na Polícia Civil, o ex-deputado Álvaro Lins sentiu o golpe das recentes derrotas. No apartamento onde mora, local em que foi preso pela Polícia Federal (PF), durante a operação Segurança S.A., em maio, Lins estaria deprimido e ingerindo tranqüilizantes para se controlar, segundo informam amigos próximos do ex-parlamentar. A possibilidade de voltar a ser preso pela Polícia Federal é, agora, o maior tormento do policial que já foi uma das principais autoridades da Segurança Pública do estado.
A preocupação tem razão de ser. Acusado pela PF e pelo Ministério Público Federal (MPF) de lavagem de dinheiro, corrupção ativa, formação de quadrilha armada e descaminho para contrabando, Lins perdeu, com o mandato, o direito ao foro especial.
Ontem a juíza federal Márcia Helena Nunes, convocada em caráter especial para ser relatora da denúncia que provocou o desencadeamento da operação Segurança S.A., decidiu que, apesar da cassação, o procedimento continua no 2º Tribunal Regional Federal (TRF), a ‘segunda instância’ dos processos federais, reservada aos que têm foro especial.
Assim o futuro de Lins vai permanecer nas mãos do mesmo trio de procuradores regionais da República que denunciou o ex-deputado há quase três meses: Cristina Romanó, Maurício da Rocha Ribeiro e Paulo Fernando Corrêa. Segundo o TRF, a denúncia permanece com esse tratamento porque existe outra autoridade denunciada no mesmo processo, o vereador de Barra Mansa Francis Bullos (PRP), sogro de Lins.
Hoje os três procuradores voltam a se dedicar com exclusividade à denúncia da Segurança Pública S.A. que tem o ex-deputado como um dos réus. E qualquer decisão pode ser tomada, até um novo pedido de prisão.
FORA DO GABINETE
Ontem o clima na Alerj oscilava entre alegria contida dos deputados que comandaram o processo de cassação e o constrangimento de outros parlamentares com a quebra pouco rotineira das práticas corporativas na Casa.
Funcionários do gabinete de Lins, que deverão ser exonerados ainda hoje, fizeram faxina nas salas que o parlamentar ocupava no prédio anexo da Alerj. Levaram móveis e objetos de decoração, comprados durante reforma que o deputado havia feito recentemente. Lins ocupava um dos gabinetes mais luxuosos e confortáveis da Casa.
À tarde, pouco antes do início da sessão que reuniu pouco mais de 15 deputados, funcionários da Alerj removeram o nome de Lins do placar eletrônico de votação — apagando o último vestígio oficial do deputado na Casa.