Rio - O deputado estadual (PMDB) e ex-chefe da Polícia Civil do estado do Rio, Álvaro Lins, preso na manhã desta quinta-feira pela Polícia Federal na Operação Segurança Pública S/A, já se envolveu em vários escândalos.
Ele foi acusado pela Polícia Federal de integrar a máfia dos caça-níqueis, durante a Operação Gladiador, em dezembro de 2006. Na Operação Furacão, policiais do chamado grupo dos ‘inhos’ foram presos acusados dos mesmos crimes.
Ligado à governadora Rosinha Garotinho, ele teve uma ascensão meteórica na política em 2006. Foi um dos deputados estaduais mais votados e dos que tiveram maiores gastos de campanha. Lins ainda é alvo de processo no Tribunal Superior Eleitoral, por suposta compra de votos. Ele foi eleito com 108.652.
Em abril de 2008, o deputado estadual foi acusado de fraudes no auxílio-educação da Assembléia Legislativa do Rio (Alerj). No entanto, ele foi absolvido pelo Conselho de Ética da Alerj e também inocentado pelo Ministério Público Estadual (MP). Álvaro Lins nega todas as acusações.
Nome na lista do bicho
Quando ainda era capitão da Polícia Militar, Lins teve seu nome envolvido com o jogo do bicho. Segundo uma lista apreendida na fortaleza do bicheiro Castor de Andrade, ele teria recebido US$197 em setembro de 1993. Como os demais PMs acusados, Lins não foi afastado de suas atividades. Ele foi promovido e passou a trabalhar na Comissão Permanente de Licitação do Gabinete Civil do governador.
Quando Hélio Luz foi demitido da Chefia da Polícia Civil, comentava-se que Lins fora o pivô de um incidente entre o delegado e o então governador Marcello Alencar. Marcello teria pressionado Luz a aceitar o ingresso do capitão como delegado da Polícia Civil. Luz teria reagido, afirmando que não aceitaria a medida enquanto fosse chefe. Amparado por uma decisão judicial, o capitão foi nomeado.
Apartamento de R$1,2 milhão
As investigações que resultaram na Operação Gladiador relacionaram imóveis e carros usados por ex-chefe de Polícia Civil Álvaro Lins, entre eles o apartamento 601 do número 94 da Rua Cinco de Julho, em Copacabana.
O imóvel, onde o ex-chefe de Polícia Civil vive, foi transferido para Maria Canali Bullos em janeiro de 2005. Avó da atual ex-mulher de Lins, Maria Canali é aposentada e até 2004 fazia declaração de isenta. Após a transferência imobiliária, no entanto, a situação cadastral da aposentada passou a figurar como pendente de regularização. Maria Canali é pensionista do INSS.
Avaliado em R$1,2 milhão, o apartamento onde o delegado mora estava em nome de João Luiz Ferreira Alvarez, que também aparece como proprietário do Toyota Corolla usado pela segurança de Lins durante a campanha eleitoral. Na declaração de bens apresentada ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE), o ex-chefe de Polícia Civil declara dois apartamentos em Barra Mansa, um jipe Ford e um telefone, totalizando um patrimônio de R$78.100.