Rio - O relatório final da CPI das Milícias vai rodar o mundo. O deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL), presidente da comissão parlamentar, entrega amanhã à Anistia Internacional um exemplar do texto aprovado semana passada com o pedido de indiciamento de 226 suspeitos de ligações com os grupos paramilitares. É o primeiro passo para as organizações dos EUA e da Europa cobrarem do governo brasileiro uma punição para os envolvidos com as milícias.
A Anistia Internacional é uma organização não-governamental com sede em Londres e que atua na defesa dos Direitos Humanos. Anualmente, produz relatórios com base no levantamento realizado por seus pesquisadores espalhados pelos cinco continentes. No Brasil, a Anistia sempre mostrou-se preocupada com os grupos de extermínio e a vida carcerária.
Para Marcelo Freixo, a Anistia será uma aliada para a implementação das medidas sugeridas no relatório da CPI para acabar com o poder das milícias. “Tim Cahill (representante da Anistia Internacional) vem especialmente ao Rio pegar o relatório. Ele avisou que irá cobrar das autoridades ações imediatas”, assegura Freixo.
Entre as medidas que os parlamentares esperam ver adotadas estão a proibição do porte de arma para bombeiros, a criação de corregedoria externa, a criminalização do curral eleitoral, aprovação no Congresso da tipificação do crime de milícia e a melhoria dos salários pagos aos policiais.
Série de ‘O DIA’ vai ser anexada
Os documentos que serão entregues à Anistia Internacional contêm a relação dos 226 indiciados dos 1.113 investigados pela CPI e toda a estrutura das milícias espalhadas por 171 comunidades do estado do Rio. Traz, ainda, as evidências do poder econômico proporcionado pela cobrança de taxas de segurança e da exploração do transporte alternativo, TV a cabo e moradia.
Também vão constar no trabalho feito pela CPI e entregue à Anistia a série “Dossiê Milícia” de O DIA, com o levantamento dos bens e a atuação dos acusados de liderar os principais grupos no Rio. Com patrimônio incompatível com a renda, 15 dos investigados já foram indiciados pela Polícia Federal por lavagem de dinheiro e extorsão.
Mas é o capítulo político o mais embaraçoso. Cinco vereadores e dois recém-eleitos para a Câmara do Rio estão entre os indiciados e que, a pedido da CPI, devem enfrentar o Conselho de Ética, pedidos de cassação e a não diplomação como novos parlamentares. Com a decisão de Natalino José Guimarães em renunciar ao cargo de deputado estadual na terça-feira, restou um problema a menos.