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5/12/2007 01:32:00

Apreendidas 15 toneladas de bacalhau estragado

Rio - Cerca de 24 toneladas de alimentos impróprios para consumo — muitos típicos da festa de Natal — foram apreendidos ontem por policiais da Delegacia do Consumidor (Decon) e agentes da Vigilância Sanitária Municipal na sede da Casa Nunes Martins, na Penha. A empresa é uma das maiores distribuidoras de alimentos e bebidas do Rio. Entre os itens apreendidos, estão 15 toneladas de bacalhau mofado e produtos com validade vencida. O material foi inutilizado, e a Casa Nunes Martins, multada em R$ 778. O proprietário, Antônio Osório, 77 anos, foi preso em flagrante, mas liberado após pagar fiança de R$ 38 mil.

Os policiais chegaram por volta das 11h ao galpão da Casa Nunes, no Mercado São Sebastião. A ação fazia parte da Operação Boas Festas, que fiscaliza venda de mercadorias na época do Natal. Entre os produtos impróprios para consumo, além do bacalhau, foram recolhidos carne de polvo e de sardinha portuguesa, caixas de leite e sucos, molhos prontos de maionese, 300 quilos de café e 3 toneladas de avelãs, passas e nozes. Havia produtos vencidos desde abril. Parte do material foi levada ao Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE).

A quantidade de produtos apreendidos surpreendeu os próprios policiais. “Pelo fato de a Casa Nunes atender hipermercados e restaurantes de luxo e ter o nome que tem, não pensei que fosse achar tanta coisa imprópria para consumo”, confessou um agente.

Procurado ontem durante a operação, advogado da Casa Nunes não quis se pronunciar. Além dos produtos com validade vencida ou sem rótulo, os policiais encontraram ainda indícios de que os donos da Casa Nunes Martins usavam etiquetas falsas nos produtos, a fim de mascarar o fim do prazo de validade. Elas foram identificadas por estar escritas com letra diferente e não ser autocolantes. As etiquetas suspeitas foram enviadas ao ICCE.

ALIMENTOS RASTREADOS

O próximo passo da polícia deverá ser uma investigação sobre quais clientes compraram produtos na Casa Nunes Martins nos dias anteriores à ação de ontem. Não estão descartadas novas operações para verificar se esses itens estão dentro das condições de consumo.

O Sindicato dos Hotéis, Bares e Restaurantes do Rio (SindRio) reagiu ontem à operação, afirmando por meio de nota que vai alertar “os estabelecimentos associados sobre a apreensão das mercadorias”.

Em operação semelhante à de ontem, a Decon recolheu semana passada produtos impróprios para consumo no restaurante Garcia & Rodrigues, no Leblon. Outras ações este ano ocorreram em agosto, no bar Belmonte, no Jardim Botânico, e em fevereiro, no Centro Gastronômico Loft, na Barra.

Empresa fornece há 88 anos

A Casa Nunes Martins, que está há 88 anos no mercado e atua em todo o País, é considerada a maior atacadista de bacalhau do Rio e uma das maiores importadoras e distribuidoras de alimentos e bebidas do estado.

Em sua lista de clientes estão bares, restaurantes caros, hotéis e hipermercados. Situada na Rua da Cevada, dentro do São Sebastião, a Casa Nunes possui armazéns de 3 mil e 500 metros quadrados, três frigoríficos, 10 caminhões e 26 vendedores de campo.

A especialidade da casa é o bacalhau, de todos os tipos e de todos os países. Segundo comerciantes da região, o dono da empresa possui casas e mansões na Barra da Tijuca e não é bem visto pelos seus empregados.

RECEITA RECOLHE 181 RELÓGIOS

Em repressão ao contrabando e à pirataria, a Receita Federal realizou ontem em cinco estados a Operação Pulso Forte, para combater irregularidades fiscais na exposição e venda de relógios de marcas estrangeiras produzidos na Zona Franca de Manaus. Na cidade do Rio, a ação aconteceu em dois grandes shoppings, onde foram apreendidos 181 relógios, no valor de R$ 400 mil. Hoje a Receita fará o balanço total da operação.

No Rio Sul, em Botafogo, foram fiscalizadas 10 lojas. Ao todo, 141 relógios foram apreendidos, e o valor somado chega a R$ 220 mil. Já no BarraShopping seis lojas foram inspecionadas e nelas 40 relógios, no valor de R$ 180 mil, foram apreendidos. Os autuados terão que apresentar documentos provando a entrada dos produtos no Brasil de forma legal.

Policiais da Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Propriedade Imaterial (DRCPIm) apreenderam ontem em Alcântara, São Gonçalo, 2 mil DVDs piratas, óculos de sol e de grau falsificados, bonés, roupas e tênis. A operação foi resultado de mapeamento feito pela Secretaria de Segurança do município. Ninguém foi preso.

Na sexta-feira, ação semelhante da DRCPIm apreendeu R$ 200 mil em CDs e DVDs piratas.

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