Rio - Até o fim do ano, vereadores cariocas terão de decidir se autorizam a prefeitura a vender cinco terrenos na Barra da Tijuca, cujas áreas são destinadas à construção de escolas públicas. A proposta integra o projeto de lei orçamentária de 2009, elaborada pelo prefeito Cesar Maia, que pretende vender 11 terrenos na cidade — nove deles na Barra — e incrementar o tesouro municipal com R$ 88,9 milhões.
A Secretaria Municipal de Educação informa que a Barra já tem 16 escolas municipais e duas Casas da Criança, que atendem 91.413 alunos. A oferta, segundo o órgão, supre a demanda da região. O Sindicato dos Profissionais de Educação do Rio (Sepe) contesta.
“Não se pode partir da idéia de que é educação apenas para pobre. As classes média e alta têm direito ao ensino público de qualidade. Afinal, todos pagam impostos”, criticou Édna Félix, uma das coordenadoras do Sepe.
Cesar minimiza as críticas e afirma que o dinheiro poderá voltar para a rede municipal. “Na Barra, a demanda por escolas públicas é muito menor. O dinheiro da venda permitirá construir unidades em áreas carentes”, diz.
O presidente da Comissão de Educação e Cultura da Câmara, Charbel Zaib (PDT) condenou o projeto. “Ao defender escola pública só para a população carente, ele mostra desprezo por quem busca ensino público de qualidade, seja qual for a classe social”, avaliou. A vereadora Andréa Gouvêa Vieira (PSDB) também critica a proposta: “Há áreas carentes na região principalmente nos limites com os bairros do Recreio e de Jacarepaguá”.