Em resposta a atentado contra delegacia, polícia estourou ‘gatonet’ e apreendeu veículos de lotada
Rio - Na primeira grande resposta ao atentado a bomba contra a 35ª DP (Campo Grande), na madrugada de quarta-feira, as polícias Civil e Militar contra-atacaram ontem no ponto mais sensível da milícia: o lucro com atividades ilegais. De manhã, uma central clandestina de TV a cabo (‘gatonet’) foi estourada em Paciência e houve apreensão de 83 Kombis, vans e motos em Campo Grande. Na comunidade de Cosmos, uma festa junina acabou cancelada pela ação de agentes, que recolheram grades de ferro pintadas com o nome do deputado estadual Natalino José Guimarães (DEM), suspeito de ser o mandante da ação contra a delegacia.
A repressão às milícias deverá se intensificar na próxima semana, como ficou definido ontem à tarde em uma reunião da cúpula da segurança do estado. De manhã, o secretário José Mariano Beltrame esteve na 35ª DP. “Vim fazer esta visita para prestar total apoio à delegacia e dizer que a luta está começando. A denúncia de que haveria uma recompensa pela morte dos delegados não desviará nosso planejamento. Na verdade, isso alavanca nossas ações, indicando que estamos no caminho certo”, afirmou.
A ação de ontem começou em vários pontos de Bangu e Campo Grande. A operação foi comandada pelo Regimento de Polícia Montada (RPMont) e contou com o apoio de homens da Rondas Ostensivas Nazareth Cerqueira (Ronac) e do Departamento de Transportes Rodoviários (Detro). Entre veículos piratas e com documentação irregular, foram apreendidas 40 Kombis, uma van e 40 motos. Os veículos foram levados para o pátio do RPMont.
Em seguida, agentes da Delegacia de Homicídios da Zona Oeste (DH-Oeste) foram checar uma denúncia de que milicianos estariam reunidos num ponto da comunidade Nossa Senhora das Graças, em Paciência. Ninguém foi encontrado, mas atrás de um aviário os policiais estouraram uma central de ‘gatonet’.
Durante todo o dia, quase uma centena de policiais civis de 17 especializadas e 22 unidades distritais reforçaram a segurança em frente à 35ª DP. Pouco depois das 17h, eles se dividiram em três grupos e atacaram três áreas dominadas pelos milicianos: as favelas da Carobinha e Vilar Carioca e toda a região de Cosmos, onde a festa junina foi impedida.
Os cavaletes que demarcava o território com o nome de Natalino foram apreendidos perto da festa junina. Como a milícia deu ordem para Kombis e mototáxis não circularem após a apreensão da PM, apenas duas Kombis foram levadas para delegacia à tarde.
Cúpula determinou a investida
Uma reunião realizada na tarde de ontem entre os integrantes da cúpula da segurança pública determinou a megaoperação da Polícia Civil desencadeada na Zona Oeste. Depois do encontro, os mais de 200 policiais civis que se concentravam desde o início da manhã na 35ª DP (Campo Grande) — atacada quarta-feira por milicianos, que arremessaram uma bomba contra o prédio — entraram nas favelas da Carobinha, Barbante e Vilar Carioca, todas localizadas no bairro de Campo Grande.
Durante a reunião, também ficou definida uma escala de apoio à 35ª DP, que será cumprida por equipes de várias delegacias pelo menos até o dia 27.
O combate aos grupos paramilitares foi o principal tema do encontro. Entre os assuntos discutidos estavam o planejamento de novas investidas contra a milícia e a apuração de supostos atentados contra policiais que investigam as quadrilhas. Os agentes ameaçados estão circulando com escolta. Depois da reunião, Beltrame encontrou-se com o governador Sérgio Cabral e com o superintendente da Polícia Federal (PF) no Rio, Valdinho Caetano.
Também ontem, o promotor da Vara de Campo Grande, Jorge Magno, se reuniu com o delegado Marcus Neves. Magno informou que todos os presos acusados pelo crime de milícia serão autuados em flagrante por formação de quadrilha armada — crime de ação permanente, na avaliação do promotor.