Rio - Depois de entregar 31 mil laptops do programa Conexão Professor, a Secretaria Estadual de Educação constatou que muitos educadores não estavam utilizando a máquina em sala ou para preparar aulas porque não sabiam usar o equipamento, mesmo com o CD-ROM explicativo entregue com o notebook. Por conta disso, já foram abertas 271 turmas — com 3.531 professores inscritos — do Curso Presencial de Tecnologia.
“O objetivo é que o laptop seja um instrumento pedagógico. Estamos estimulando que sejam levados para a sala de aula; porém, o mais importante é fomentar novas descobertas e estimular o conhecimento”, diz Júlio.
Adriano de Freitas Machado, professor de Geografia do Colégio Estadual Vicente Januzzi, na Barra, comemora a chegada dos laptops e conta que suas aulas já não são mais as mesmas. “Foi um divisor de águas. Faço aulas em datashow (projetadas num telão). Quando falo de furacão, por exemplo, entro na Internet e mostro a formação de um na hora. O curso está mais atraente”, afirma ele, que ajuda colegas a usar o notebook.
DÉFICIT PREJUDICOU 37.500
A crise no ensino público estadual deixou ano passado mais de 37.500 estudantes sem aula nos primeiros quatro meses. Parte do déficit de 4 mil mestres foi suprida pelo trabalho dos orientadores tecnológicos. A falta de professores atingiu principalmente estudantes de Niterói, São Gonçalo e da Baixada Fluminense.
Sem aulas, o boletim do primeiro bimestre revelou um ‘recurso’ para esconder o problema da falta de professores. Algumas matérias foram apagadas do histórico escolar — o que é ilegal. No boletim do segundo bimestre, estudantes receberam o conceito S/N, abreviação de Sem Nota. Sindicatos de professores precisaram recorrer ao Ministério Público para que o então secretário de Educação, Nelson Maculan, garantisse professores nas escolas. Em dezembro de 2006, o estado cancelou o contrato de 7.500 profissionais, que foram impedidos de assumir novas turmas.
Até beneficiários do Bolsa Família tiveram dificuldade para manter o benefício, já que, com os filhos em casa, não tinham como comprovar freqüência escolar. Em muitas escolas, alunos foram obrigados a fazer trabalhos para obter a única nota do bimestre.