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30/08/2008 01:19:00

Babu no banco dos réus

Deputado estadual é acusado de integrar quadrilha que cobrava ‘mensalão’ de empresários

Rio - Acusado de envolvimento com a milícia, o deputado Jorge Luiz Hauat, o Jorge Babu (PT), integrou ainda, segundo o Ministério Público (MP), um grupo — autodenominado de ‘Firma’ — que transformou a a ante-sala da 1ª Vara da Infância e Juventude em um ‘balcão de negócios’, entre 1997 a 2003. Para liberar bailes funks, por exemplo, eles teriam exigido até R$ 150 mil da Furacão 2000 Produções Artísticas Ltda., a maioria na Zona Oeste. Em 30 de junho, a denúncia foi recebida por unanimidade pelos desembargadores do Órgão Especial do Tribunal de Justiça. O deputado poderá ser expulso do PT.

Segunda-feira, o desembargador Paulo Gustavo Horta determinou que a 4ª Vara Criminal marque interrogatório dos réus. Além de Babu, serão ouvidos o policial rodoviário Wellington Regadas Moreira, o PM Paulo Roberto Medeiros Rolim, o Paulinho PM, Luiz Eduardo Soares, o Mr. Bean, e Willian Pereira Mendes.

Com exceção de Babu, à época vereador, os outros eram lotados na 1ª Vara da Infância e Juventude. Eles vão responder a processo sob a acusação de formação de quadrilha e concussão (extorsão praticada por servidor público). Pelos crimes, as penas variam de um a oito anos de prisão. Entre os alvos da quadrilha estavam donos de motéis e casas de shows.

A trajetória de Babu no Órgão Especial inclui a denúncia por formação de quadrilha e bando armado enviada pelo MP. Está nas mãos do desembargador Antônio Eduardo Ferreira Duarte a decisão de decretar a prisão preventiva de nove acusados, entre eles o tenente-coronel da PM Carlos Jorge Cunha. Por ter foro privilegiado, Babu só pode ser preso em flagrante.

Na denúncia, Babu é apontado como chefe do bando acusado de cobrar de R$ 10 a R$ 300 por serviços de ‘segurança’, dominar a venda de botijões de gás e a exploração clandestina de TV a cabo em Campo Grande, Paciência e Pedra de Guaratiba.

O deputado nega as acusações. “Não tenho nada a ver milícia. E se descobrirem que tem, quero saber quem é que manda. Eu não sou”, disse. Babu afirmou que pouco sabe sobre as acusações do MP e não quis comentar o fato de já ser réu no Órgão Especial.

Alessandro Molon, candidato à Prefeitura do Rio, encabeça o movimento para expulsar Jorge Babu. ‘O comportamento dele não combina com o PT’, afirma

O PT deve expulsar o deputado estadual Jorge Babu na próxima segunda-feira. A executiva regional do partido se reunirá com os integrantes da bancada na Assembléia Legislativa para discutir o assunto. A expectativa de participantes desse encontro é de que o pedido sumário de expulsão seja aprovado pela maioria do colegiado. Babu poderá participar da reunião e até mesmo se defender. Caso não compareça, sua defesa será assumida por algum integrante da executiva.

“O PT foi pego de surpresa. Vamos consultar o estatuto do partido e analisar as possíveis punições. Já existe proposta de tudo que é tipo. Vão desde a censura pública até a expulsão”, disse o presidente regional do PT, Alberto Cantalice.

O candidato do PT à Prefeitura do Rio, o deputado Alessandro Molon, apresentou o pedido formal de expulsão de Babu. “O PT não pode admitir políticos acusados de envolvimento com milícias. Por isso, entrei com novo pedido de expulsão de Babu, cuja conduta e prática nunca combinaram com o PT”, disse.

Segundo Cantalice, o partido não deve tomar nenhuma atitude contra o irmão de Babu, o candidato a vereador Elton Babu, que também é investigado por suspeita de envolvimento com milícias.

“Sei que também vai ter gente que pedirá a expulsão do irmão. Mas tem que apresentar elementos e indícios do envolvimento dele”, afirmou Cantalice, ressaltando que Elton é filiado ao PT há mais tempo do que Jorge.

Não é a primeira vez que o PT tenta se livrar de Jorge Babu. Em dezembro de 2004, ele foi preso em flagrante pela Polícia Federal, em uma rinha de galos, em Jacarepaguá, em companhia do então marqueteiro do partido, o publicitário Duda Mendonça. O diretório municipal aprovou a expulsão e a decisão foi referendada pela Executiva Regional, no mês seguinte. Babu recorreu da medida e o recurso ainda não foi julgado.

GRUPO PRESO

Quatro homens suspeitos de integrar a milícia que controla o Morro do Dezoito, em Água Santa, na Zona Norte do Rio, foram presos no início da tarde de ontem. O grupo estava com armas sem registro e foi encaminhado para a 44ª DP (Inhaúma), onde foi autuado por porte ilegal.

A ação começou quando policiais do 3º BPM (Méier) encontraram uma carabina calibre 12 abandonada durante incursão na comunidade. Porém, quando já se preparavam para sair da comunidade, os PMs suspeitaram de quatro homens que estavam próximos à arma — Francisco Barbosa de Barros, Francisco Jocier de Sá Silva, José Carlos Ferreira da Costa e Edmílson José da Silva — e os abordaram para uma revista. Com eles, os policiais encontraram duas pistolas calibre 9 milímetros.
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