Celso Oliveira e Andréa Uchôa
Rio - Grávida de sete meses, Samantha Fraga Pinto, de 21 anos, foi morta por uma bala perdida ao ser atingida na nuca, quando estava em uma LAN house, próximo ao Morro da Boavista, no Fonseca, em Niterói. Os médicos, no entanto, conseguiram salvar a criança depois de uma cesariana. O menino Nycholas passa bem e está em observação na UTI neonatal. Na ação, mais duas pessoas foram baleadas, mas não correm risco.
O confronto ocorreu por volta de 21h. Os bandidos foram até a Brothers LAN House, na Rua Indígena 188, procurando pelo proprietário do imóvel, Álvaro Ribeiro Neto, 30 anos. Acusado pelo bando de ter furtado uma moto do tráfico, ele estava sendo levado para o alto do morro, onde seria morto quando os criminosos foram surpreendidos pelo soldado da PM Ronei Siqueira, 33, e seu irmão, que é bombeiro. Os dois são sócios da LAN House.
“Os traficantes tinham deixado uma moto perto da loja e ela sumiu. Eles acharam que tinha sido o Álvaro e foram pegá-lo para matar”, explicou o delegado da 76ª DP (Centro de Niterói), Mário Azevedo.
FORA DE RISCO
Na troca de tiros, além de Samantha, Ronei, que é lotado no Batalhão de Polícia Rodoviária (BPRV), ficou ferido na barriga e numa das pernas e Álvaro foi atingido no pé esquerdo.
Os bandidos fugiram em um carro preto. Os três baleados foram atendidos no Hospital Universitário Antônio Pedro. Álvaro foi medicado e liberado ontem. Ronei foi operado e continua internado, mas não corre risco de morrer. Samantha ainda foi operada às pressas para a retirada da bala, mas não resistiu e morreu no início da noite de ontem.
Polícia já identificou dois dos seis bandidos
O tiroteio na porta da Brothers LAN house deixou em pânico moradores e comerciantes da Rua Indígena. Segundo testemunhas, na loja havia pelo menos dez pessoas quando houve o confronto. Em frente ao estabelecimento, uma mercearia serviu de abrigo para os pedestres que ficaram no meio do fogo cruzado. Ontem, o clima no local era de apreensão e muitos não quiseram falar sobre o assunto com medo de represálias.
“Moro aqui há 20 anos e nunca vi isso. Muita gente correu para dentro da mercearia em desespero. Foram muitos tiros. Estamos assustados porque não sabemos se amanhã seremos as vítimas”, comentou um morador que pediu anonimato.
Muito assustado, ainda no hospital, Álvaro, o dono da loja, não quis falar muito. “Foi uma discussão. Não quero falar nada porque isso já está dando e vai dar muito problema ainda”, disse Álvaro, que prestou depoimento na unidade de saúde.
Hoje, o delegado Mário Azevedo pretende ouvir algumas testemunhas. Segundo ele, dois dos seis criminosos já foram identificados, mas ele não revelou os nomes para não atrapalhar as investigações.
De acordo com a polícia, Álvaro tem passagem pela polícia por furto. Com marcas de tiros na fachada, a lan house não abriu as portas ontem. De tarde, peritos estiveram no local.
O rodoviário Cesar da Cruz Oliveira, 26 anos, marido de Samantha, estava inconsolável. De tarde, ele ainda acreditava que a mulher pudesse sobreviver e criar, junto com ele, o tão esperado primeiro filho. “Ela estava ansiosa para ver o rostinho dele. Sonhava em fazer faculdade de Informática. Estamos em estado de choque, ninguém podia esperar por isso”, lamentou Cesar.