
Rio - Após mais de quatro horas de julgamento, o traficante Luiz Fernando Costa, o Fernandinho Beira-Mar, foi condenado, nesta sexta-feira, no 4º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, a seis anos de prisão por associação ao tráfico de drogas. A decisão foi da juíza Maria Angélica Guerra Guedes. O julgamento teve o fim antecipado porque a defesa e a promotoria abriram mão da réplica.
Apesar de o processo envolver a tentativa de homicídio contra dois policiais militares, tráfico de entorpecentes e associação para o tráfico, Luiz Fernando da Costa foi julgado apenas pelo último crime.
“Todos os nove denunciados fazem parte do Comando Vermelho, estando associados para a prática do tráfico, e é notório que Fernandinho Beira-Mar é um dos líderes dessa facção criminosa”, afirmou o promotor Luciano Lessa Gonçalves dos Santos
Durante o julgamento, o promotor Luciano Lessa Gonçalves dos Santos afirmou que vai pedir a anulação do processo caso o réu seja condenado. Segundo o promotor, o 4° Tribunal do Júri não pode julgar um crime de associação para o tráfico, apenas delitos contra a vida.
O promotor espera que o caso volte para Duque de Caxias, onde foi oferecida a denúncia. O caso foi parar no Tribunal do Júri depois que os advogados do traficante entraram com um recurso alegando que os jurados da Comarca de Duque de Caxias não teriam a imparcialidade necessária para julgar o caso.
Empresário
Beira-Mar foi julgado por envolvimento com grupo que atacou dois policiais civis nas imediações da favela Vila Ideal, em Duque de Caxias, em 1996. Em sua defesa, Beira-Mar se declarou empresário, dono de uma construtora em Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte (MG) e que, quando ocorreu o crime, não estava no estado por conta do negócio.
Ele disse ainda que fazia um curso pré-vestibular na época e admitiu ter morado na Favela Beira-Mar, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Além da construtora, ele disse também ter uma loja de materiais de construção.
Escoltado por dois policiais, o traficante acompanhou o julgamento sem algemas, após um pedido feito por seu advogado com base na decisão do Supremo Tribunal Federal. Pelo menos cinco viaturas da PF realizaram a escolta do criminoso, que chegou por volta das 7h.
Beira-Mar chegou a negar envolvimento com o crime e alegou que a polícia tenta relacionar casos ocorridos em Duque de Caxias ao nome dele. "Tudo que acontece em Caxias eles atribuem a mim para valorizar o processo", disse.Ele acrescentou também que é casado e tem seis filhos reconhecidos, com idades entre 10 e 23 anos.
Denúncia
De acordo com a denúncia, em 24 de maio de 1996, por volta das 16h, na estrada São João de Meriti, em Duque de Caxias, na altura da Favela Vila Ideal, os policiais Andecley Antônio Santana Cardoso e Demerval Edson Lourenço avistaram carro com quatro homens suspeitos. O veículo teria sido perseguido e, ao parar na entrada da favela, seus ocupantes começaram a atirar nos policiais.
Segundo o MP, os disparos foram efetuados para dar cobertura a Charles Silva Batista, o Charles do Lixão, líder do tráfico de entorpecentes no local. Primeiro denunciado pelo Ministério Público, Charles do Lixão é o únio acusado pelas tentativas de homicídio dos policiais.
Além de Beira-Mar e Charles Batista, foram denunciados Joãozinho, Ricardo Pereira da Silva, o Ricardinho, Josenildo Ramos da Silva, Rosenildo Lucena Mendes, Walter David de Sant"Anna, o Vavá, Márcio de Oliveira Diniz, o Jaz, e Oliciano do Nascimento, o Ulisses.
Ainda segundo o Ministério Público, os denunciados faziam parte do Comando Vermelho e estariam associados para buscar a expansão dos negócios ilícitos com intuito de dominar o narcotráfico em Duque de Caxias.
Seqüestro de autoridades
Há 11 dias, a Polícia Federal desencadeou a Operação X com objetivo de desarticular esquema de extorsão e seqüestros de autoridades do Executivo, Legislativo e Judiciário de vários estados.
O plano descoberto foi elaborado por Beira-Mar, pelo megatraficante colombiano Juan Carlos Abadía e pelos assaltantes de banco João Paulo Barbosa e José Reinaldo Girotti.
O grupo articulava crimes de dentro da penitenciária de Campo Grande por intermédio de parentes que os visitavam, de correspondências e, supostamente, de seus advogados.
A PF investiga ainda o envolvimento de policiais e agentes penitenciários no plano de seqüestros liderado por Beira-Mar e Abadía, além da possibilidade dos presos se comunicarem por mímica.
Com informações do Terra