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22/08/2008 01:01:00

Beltrame abre caça ao filho de Jerominho

Secretário afirma que ex-PM é mentor de invasão em favelas

Enterro do motoboy Maicon em Campo Grande: revolta e indignação de parentes. Foto Jadson Marques / Ag. O Dia

Rio - A participação do ex-PM Luciano Guinâncio Guimarães (foto) — filho do vereador Jerominho — na chacina da Favela do Barbante, em Campo Grande, foi confirmada ontem pelo secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, durante depoimento à CPI das Milícias. A mesma informação foi dada à polícia pelos parentes de uma das vítimas, que viram o filho do vereador na favela duas horas antes da invasão que culminou com pelo menos quatro mortes — três dos corpos não seriam de vítimas de ataque promovido pela ‘Liga da Justiça’.

Advogado de Luciano, Flávio Fernandes classificou a afirmação como “fantasiosa”, já que seu cliente estaria fora do Rio quando o crime aconteceu. Ele garantiu que, em breve, Luciano vai se entregar à Justiça, mas quer receber garantias de vida das autoridades. O advogado argumenta que obteve informações de que seria simulado um confronto com a polícia para justificar a morte de Luciano.

Testemunhas do ataque afirmam que o ex-PM estava no Barbante. “Muita gente viu ele chegando, de cara limpa, sem capuz, com os outros, todos com fardas camufladas, provocando a escuridão para, depois, voltarem e realizar a invasão”, disse a testemunha que preferiu não se identificar, relatando que Luciano e três homens atiraram contra os transformadores da favela.

NAS PAREDES

As pichações nos muros da comunidade com a inscrição ‘Comando Vermelho, voltamos’, foram apagadas. Perto do campo de futebol, uma pichação foi mantida: “Cuidado, área de risco”. Ontem à tarde, foi enterrado no Cemitério de Campo Grande o motoboy Maicon de Azevedo Portela, 21 anos. A família estava revoltada. “Quando chegou, de moto, às 16h, ele foi cercado pelos criminosos, que lhe deram uma coronhada e o arrastaram como um porco”, disse um parente.

A segunda vítima dos milicianos enterrada ontem foi Bruno Sérgio Manhães Aires Batista, 37 anos. O enterro do auxiliar de serviços gerais da Caixa Econômica Federal Dário Leoneza, 56, que seria realizado ontem, foi transferido e ainda não tem local definido. Os corpos de outras duas vítimas, Francisco Resende de Oliveira, de 49 anos, e Ariovaldo da Silva Nunes, de 47, foram sepultados quarta-feira, no Cemitério de Santa Cruz.
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