Rio - A secretária estadual de Assistência Social e Direitos Humanos, Benedita da Silva, revelou ontem que já foi vítima de preconceito racial por parte de comissários da American Airlines, mesma empresa que será processada por danos morais e constrangimento pelo sambista Dudu Nobre.
“Quando ouvi a história de Dudu Nobre, pensei: já vi esse filme antes, pois também aconteceu comigo, embora não tenha sido tão grave assim”, disse a secretária. Sem precisar a data, Benedita contou que viajava na classe executiva da American Airlines da Bahia para os Estados Unidos, quando solicitou uma refeição e não foi atendida.
“Como estava demorando, reclamei, e me disseram que primeiro estavam atendendo outros passageiros. Não me serviram nada e ainda me pediram o meu cartão (para verificar se Benedita estava no lugar correto). Fiz uma denúncia formal à direção da empresa, que acabou me devolvendo o valor da refeição e pediu desculpas pelo incidente. É preciso que todos os negros que passem por esse e outros tipos de constrangimento denunciem, para que haja cada vez mais respeito conosco”, afirmou.
Benedita, o ministro da Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial, Edson Santos, e o governador em exercício, Luiz Fernando Pezão, participaram, ontem de manhã, das comemorações do Dia da Consciência Negra no monumento em homenagem a Zumbi dos Palmares, no Centro.
Pezão classificou o episódio envolvendo Dudu Nobre e sua mulher, Adriana Bombom, de “absurdo” e exigiu que a empresa puna com rigor os envolvidos. “É lamentável. Logo envolvendo pessoas de um país que acabou de eleger um cidadão negro (Barack Obama) para a presidência. É preciso punir os responsáveis severamente”, afirmou o governador em exercício.
Segundo ele, o governo estadual “não está medindo esforços” para implementar, a partir do ano que vem, a Lei 10.639, que prevê a obrigatoriedade do ensino de história e cultura afro-brasileira nos colégios públicos e particulares. “O governador já pediu à secretária de Educação, Tereza Porto, que dê prioridade ao assunto”.
MINISTRO EDSON SANTOS CRITICA A PF
O ministro Edson Santos defendeu que o caso deveria ter sido registrado como racismo, o que não foi aceito pela Polícia Federal (PF). “Isso prova que os órgãos brasileiros ainda não estão devidamente preparados para classificar atos como esse como racismo. Deveriam registrar como racismo e prender imediatamente envolvidos em atitudes como essa”, criticou.
Dudu Nobre exigirá R$ 1 milhão de indenização por ter sido agredido com imitações de macaco feitas por um dos funcionários da companhia aérea. Sua mulher, Adriana Bombom teria sido chamada de estúpida por ter tido dificuldade de abrir a porta do banheiro. O produtor Ivan Corrêa Júnior foi agredido com uma caneta e ficou ferido.
Ao contrário do que havia sido informado pela PF, o nome da comissária da American Airlines não é Tatiana Cooley. Na verdade, Tatiana era uma passageira e teria presenciado a confusão. O nome da comissária que teria xingado Bombom não foi divulgado. Ela será convocada para prestar depoimento e pode ser indiciada por injúria simples. O comissário Carlos Carrico responderá por lesão corporal e injúria qualificada por racismo.