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13/7/2008 09:39:00

Blitz: Movimentos bruscos podem levar policial a atirar

Abordagem correta é realizada sempre com mais de um carro, cones, coletes e sinalizadores. Na dúvida, anote os dados da equipe

Christina Nascimento


Rio - A morte do menino João Roberto Amorim Soares, 3 anos — assassinado segunda-feira quando o carro em que estava foi atingido por 17 tiros disparados por policiais militares segunda-feira —, levantou questionamentos sobre o preparo de PMs. E também sobre como a população deve reagir com segurança à abordagem dos policiais na rua. Especialistas de Segurança Pública recomendam parar sempre, mesmo que o motorista desconfie que a operação não esteja sendo feita com autorização do batalhão. Agir de outra maneira é correr o risco de ter o carro alvejado.

“Não existe no Rio, com exceção de um episódio envolvendo a Polícia Federal, histórico de blitz feita com falso carro da PM. O que pode acontecer é o policial fazer uma abordagem não oficial, ou seja, sem permissão do comandante. O motorista deve acatar as ordens, mas aproveitar o momento para identificar e anotar o número da viatura e o nome do policial. Com essas informações ele consegue, caso seja vítima de extorsão, encaminhar a denúncia para a corregedoria e ouvidoria da corporação”, afirmou o roteirista do filme Tropa de Elite e ex-capitão do Batalhão de Operações Policiais (Bope), Rodrigo Pimentel.

Cartilha da Secretaria de Segurança Pública ensina que as blitzes ocorrem sempre com mais de uma viatura. Os policiais têm que usar cones, coletes refletivos e sinalizadores para demarcar os pontos de revista. O uso da arma — como foi feito pelo cabo William de Paula e pelo soldado Elias Costa Neto, do 6º BPM (Tijuca), que atiraram no carro onde estava João Roberto — só pode acontecer se os agentes estiverem numa situação de grave ameaça ou que coloque em risco a vida deles e de outras pessoas. Mas só se deve disparar se não houver perigo para os inocentes. No caso do garoto, os PMs disseram que atiraram porque pensaram que se tratava de um carro com bandidos.

“O policial do Rio aborda com a arma apontada para o cidadão e com o dedo no gatilho, por isso é arriscado uma reação brusca. Por mais que ele seja ríspido, o melhor é não reagir”, lembrou Pimentel. Só um policial deve informar o motorista sobre a revista. Antes da abordagem, ele tem que se apresentar, mostrar a identidade funcional, dizer o batalhão ao qual está lotado e informar o motivo da blitz. O uso da força só pode ser usado para inibir ameaça e da algema, para preservar a integridade física do detido e do agente.

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