Rio - Um dos 100 indiciados pela CPI da Milícia, da Alerj, o 3º sargento do Corpo de Bombeiros Carlos Alexandre Silva Cavalcante, mais conhecido como Gaguinho, foi preso nesta sexta-feira pela Corregedoria da Polícia Civil (Coinpol) em frente ao prédio da chefia da instituição, no Centro.
Mesmo já tendo passagem por formação de quadrilha e estelionato, além de ser investigado pela própria Polícia Civil por ligação com a milícia, Gaguinho foi flagrado portando um fuzil da Polinter e dentro de uma viatura da delegacia, na companhia de dois policiais, que também foram presos.
“Isso é muito grave. Uma prática inaceitável. Não é só um desvio de função por se tratar de armamento pesado do Estado nas mãos de um indiciado. Os responsáveis por isso também têm que responder pelo mesmo crime e não apenas o Gaguinho. Afinal, alguém possibilitou que isso acontecesse. O parlamento vai cobrar rigor nesse caso”, afirmou o deputado Marcelo Freixo, que presidiu a CPI da Milícia, cujo relatório final foi apresentado dia 13.
Marcelo Freixo se surpreendeu ao descobrir que Gaguinho estava trabalhando irregularmente na Polinter, e na equipe do delegado Marcus Neves, que tanto combateu a milícia da Zona Oeste quando esteve à frente da 35ª DP (Campo Grande). O delegado não quis se pronunciar: “Eu não vou me manifestar”, disse.
Depois de três meses de investigação, agentes da Coinpol prenderam o bombeiro em flagrante portando um fuzil e numa viatura da Polinter, no início da tarde de ontem, e o autuaram por porte ilegal de arma de uso restrito e usurpação de função pública. Se condenado, o militar pode pegar até oito anos de prisão. Ele foi levado para o Grupamento Especial Prisional (GEP) do Corpo de Bombeiros, em São Cristóvão.
Os dois policiais da Polinter que estavam com Gaguinho ficaram presos e vão responder por co-autoria dos crimes, já que permitiram que eles acontecessem. Os nomes dos agentes não foram revelados. De acordo com investigadores da Coinpol, o delegado Marcus Neves também terá que prestar depoimento. Sobre a participação do delegado no caso, o chefe de Polícia Civil, Gilberto Ribeiro, foi evasivo e disse apenas que a Coinpol está apurando. “Ele (Gaguinho) sempre colaborou com as investigações, mas a orientação é que isso se desse dentro da lei e que fosse punido caso cometesse algum crime”, disse Gilberto.
O que mais causou estranheza aos policiais da Coinpol foi o fato de Gaguinho mesmo sabendo que era investigado por ligação com milícia pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco-IE), que funciona no mesmo prédio da Polinter, circular livremente pelo edifício sem se preocupar em ser reconhecido.
Até julho, Gaguinho estava cedido para o Tribunal de Contas do Município, de onde foi afastado após denúncias de seu suposto envolvimento com a milícia. De lá, foi transferido para trabalhar em uma clínica odontológica dos bombeiros.
Ele seria homem de confiança do também investigado por ligação com a milícia Francisco Cesar Silva Oliveira, o Chico Bala, PM que presta serviços para a equipe de Marcus Neves. Gaguinho também figura no inquérito 020/2003 da Draco, que apura a atuação de grupos paramilitares na Zona Oeste.