Rio - Três bombeiros do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foram presos nesta quarta-feira por maus-tratos a um paciente. Os dois cabos e o soldado, que não tiveram a identidade revelada, haviam sido acionados para socorrer o cozinheiro José Romildo Alves de Souza, 52, que tinha desmaiado em frente a um bar, na Rua Riachuelo, Centro.
Desacordado, José Romildo foi arrastado pelos bombeiros até a ambulância, sem nenhum cuidado. As cenas de desrespeito foram testemunhadas por O DIA, que chegou a questionar o porquê de os militares não terem usado uma maca para fazer o resgate. Como resposta, ouviu-se apenas a pergunta: “O senhor é parente?”, questionou um dos bombeiros.
Comunicado sobre o comportamento dos militares, o coordenador do Samu Rio, coronel Eduardo Silva Ferreira, determinou a prisão imediata da equipe. Uma sindicância foi aberta para apurar os fatos. Os três bombeiros, que devem permanecer detidos no Quartel Central do Corpo de Bombeiros até o fim da investigação, podem ser expulsos da corporação.
“Trataram o moço como um animal. Ninguém pode ser socorrido assim. Isso é um absurdo”, criticou a aposentada Maria de Lourdes de Jesus, 53, que acionou o Samu pelo telefone 192. Segundo ela, José Romildo passava pelo bar quando se sentiu mal e foi amparado. Momentos depois, desmaiou.
Atendimento revolta quem assistiu à cena
O atendimento prestado ao cozinheiro José Romildo revoltou as pessoas que presenciaram as cenas do resgate. “Fiquei revoltado quando vi os bombeiros arrastando aquele senhor. Pegaram ele de qualquer jeito e o jogaram na ambulância como se fosse um saco de farinha”, comparou o garçom Francisco Sales, 42 anos.
Levado na ambulância SB81, o paciente foi deixado na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Botafogo. Até o fim da noite desta quarta não havia informações sobre o estado de saúde dele. Este não foi o primeiro problema de militares do Samu. Em novembro o porteiro Severino Ramos Dias, 51 anos, morreu enquanto aguardava atendimento.