Rio - Imagine os ‘caveiras’ entrando na favela e atirando balas de borracha. A cena não é de um novo filme da tropa de elite, mas em breve será realidade nas ações do Batalhão de Operações Especiais (Bope), que vai adotar uso de armas não-letais. Ontem, os policiais participaram de treinamento e aprovaram os equipamentos.
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“Queremos desmistificar a idéia de que o Bope é letal. Podemos usar alternativas táticas e adaptar à nossa realidade. Nossa idéia é salvar vidas”, explicou o tentente Marcelo Corbage, um dos seis homens de preto que participaram do curso oferecido pela empresa Condor, em Nova Iguaçu.
Corbage afirma que o batalhão já utiliza granadas de luz e som — um dos equipamentos mostrados no curso — em situações de resgate de reféns. Mas há projeto para que em cada equipe de oito policiais, pelo menos um use armas não-letais durante as operações.
“Vamos associar o uso dessa tecnologia com as armas convencionais. Mas se os criminosos armados com fuzis pensam que vamos usar só spray de pimenta, é melhor não tentarem a sorte”, concluiu.
Também com a missão de repassar as táticas aos subordinados, o comandante do Batalhão de Choque, coronel Carlos Milagres, foi o aluno número um da turma. Segundo o policial, o comando-geral da PM determinou que o batalhão adote o uso dos equipamentos em todas as ações. “Nossa missão é o controle de distúrbio. A idéia é usar cada vez mais a arma não-letal e deixar a letal só para último estágio”.
No curso, com duração de uma semana, 40 homens do Bope, Choque, fuzileiros navais, agentes penitenciários e policiais de outros seis estados conheceram os 150 tipos de equipamentos fabricados pela empresa e seu uso em cada ação. Os alunos praticaram no campo de testes, numa fazenda no bairro Adrianópolis.
Na simulação de seqüestro, treinadores disparavam tiros de fuzis enquanto os caveiras salvavam reféns com granadas de luz e som, que fazem cortina de fumaça para impedir a visão dos criminosos e permitir o avanço dos policiais na favela.
Plano prevê uso em intervenções do PAC
O Bope testou ontem, pela primeira vez, um lançador múltiplo calibre 40. A metralhadora, capaz de fazer rajadas, usa diversas munições de efeito moral e de borracha. A Condor, única fábrica de armas não-letais do país, produz 150 tipos de equipamentos e vai abrir filial na França.
A Secretaria de Segurança confirmou ontem que, no planejamento do PAC, está prevista a compra de armas não-letais para uso nas favelas que receberão as obras. Os equipamentos serão do mesmo tipo dos adquiridos durante os Jogos Pan-Americanos (sprays de pimenta, bombas de efeito moral e granadas de luz e som). No entanto, a secretaria ainda não divulgou a quantidade que será adquirida, mas afirma que estuda possibilidade de colocar um kit não-letal em cada viatura policial.