Rio - O governador Sérgio Cabral garantiu ontem que o cabo William de Paula e o soldado Elias Gonçalves da Costa Neto, que atiraram no carro onde estava João Roberto, estão expulsos da PM. Apesar de frisar que os policiais ainda respondem a processo administrativo, Cabral afirmou que as provas são incontestáveis. “Dois policiais cometeram um erro fatal e não quero ver policiais agindo como débeis mentais. Tem que expulsar mesmo, são dois assassinos. Vão responder na Justiça pelo crime que cometeram”, declarou.
O governador foi duro em suas críticas: “Custei a dormir noite passada com a imagem do pai do menino, seu depoimento, seu desespero, seu sofrimento. Como governador, avalio a ação como um erro fatal e incompleta capacidade de discernimento no momento de tensão. Uma atrocidade cometida contra inocentes. O Brasil está chocado”.
As declarações de Cabral foram feitas durante anúncio de convênio entre as secretarias estadual e nacional de Segurança para reciclagem e capacitação de policiais. “Não há solução mágica. A gente não faz pirotecnia. A polícia foi tratada durante anos de maneira equivocada. Políticos se envolviam na escolha de delegacias e de comandantes de batalhões. Isso tudo tem um preço”, reconheceu.
MORAL PARA A TROPA
Ontem de manhã, o comandante-geral da PM, Gilson Pitta, esteve no 6º BPM (Tijuca) e se reuniu com oficiais. “Ele veio elevar o moral dos policiais”, contou o tenente-coronel Ruy Loury, comandante do batalhão. Coube ao coronel Marcus Jardim, que comanda o Policiamento da Capital, falar à tropa.
Loury classificou a ação de seus subordinados como “erro gravíssimo”. “Eles atiraram para matar, mas não tinham intenção de matar uma criança. Infelizmente não sei o que se passou na cabeça daqueles policiais naquele momento. Eles sabem que foi algo injustificável. Vi as imagens da abordagem e, como profissional, minha opinião é de que houve um erro grotesco”.
Com 10 anos de corporação, o cabo William possui curso de técnica de abordagem e tinha bom comportamento e ficha limpa. Ele é pai de três filhos — um deles excepcional. Ex-fuzileiro naval e com um filho, o soldado Elias está há três anos na PM — sempre no 6º BPM — e possui duas anotações criminais: porte ilegal de arma, em 98, e lesão corporal culposa de trânsito, em 99.