Rio - O governador do Rio, Sérgio Cabral, disse nesta terça-feira que os dois policiais militares responsáveis pela morte do menino João Roberto Amaral, de três anos, vão ser expulsos da corporação. Cabral chamou o crime de “atrocidade” e classificou os PMs de “débeis mentais”. O garoto foi atingido por dois tiros, quando o carro em que estava com sua mãe e um irmão menor foi fuzilado pelos policiais, que perseguiam bandidos, neste domingo, na Tijuca, Zona Norte.
Cabral disse que a família foi vítima da incompetência fatal dos PMs e revelou que não conseguiu dormir na última noite, após ver pela televisão o desabafo emocionado do pai de João Roberto.
“Como pai, eu custei a dormir esta noite com a imagem do pai do menino. Eu pensei no seu sofrimento e no seu desespero. Como governador, [foi] um erro fatal, de incompleta capacidade de discernimento num momento de tensão, uma atrocidade cometida contra inocentes, vítimas da incompetência dos dois policiais”, disse Cabral.
O governador disse que os dois policiais deverão ser expulsos da PM. “Foi cometido um crime. É como disse o pai do menino: ‘metralharam a minha família’. Estão fora da polícia. Não tem conversa. Como eu já botei para fora 300 e vão quantos forem necessários, que não se comportarem dignamente, seja extorquindo, seja matando inocentes”, disse.
Cabral conversou com a imprensa após a solenidade de inauguração de um tele-centro destinado a cursos à distância para policiais militares, para terem direito a receber bolsa de R$ 400 do Programa Nacional de Segurança com Cidadania (Pronasci), financiada com recursos do governo federal, por meio do Ministério da Justiça.
Entre os cursos disponíveis para os soldados, estão: “Uso progressivo da força”, “Técnicas e tecnologias não-letais de atuação policial”, “Identificação veicular” e “Direitos humanos”, habilidades que ajudam o policial na abordagem à população e que podem evitar tragédias como a do menino João Roberto.
Mais cedo, cabo William de Paula e o soldado Elias Gonçalves da Costa Neto, do 6º BPM (Tijuca), foram indiciados por homicídio doloso qualificado, com intenção de matar e sem chance de defesa da vítima. A promotora de Investigação Penal do Ministério Público Christiane Barbosa Monnerat pediu a prisão temporária por 30 dias dos PMs.
Eles continuam presos administrativamente no 6º BPM (Tijuca).