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3/5/2008 22:27:00

Camisas de Ronaldo encalham em camelôs

Com medo de piadas, fãs rejeitam até a branca do Fla usada por ele

Mahomed Saigg e Christina Nascimento

Rio - Os fãs parecem ter abandonado o Fenômeno. Por causa do escândalo de Ronaldo com três travestis, na semana passada, os vendedores ambulantes do ramo de esporte estão perdendo de goleada. As camisas com o nome do jogador e o modelo branco do uniforme reserva do Flamengo, que ele usou quando estava no motel Papillon, na Barra da Tijuca, palco da confusão, estão encalhados. O resultado já pode ser visto nas bancas do maior centro popular do Rio, o Camelódromo da Uruguaiana. Em alguns boxes, há até liquidação para queimar o estoque. O corte no preço original chega a um terço.

“Ninguém quer levar por causa do episódio com os travestis. Coloquei as camisas do Brasil com nome dele na banca. Abaixei o preço de R$ 30 para R$ 20, mas sei que não vou vender nada. Vou amargar o prejuízo de mais de cem unidades. Já teve até trocas.

Quem comprou o uniforme do Ronaldo voltou em busca de outra opção. Nem gringo quer, por causa da gozação dos brasileiros”, contou o comerciante Leandro Pontes, 36 anos.

DISTÂNCIA DA GOZAÇÃO

Na procura por uma camisa para ir à final entre Flamengo e Botafogo, hoje, no Maracanã, o publicitário Carlos Vieira, 25, confessou que, apesar de achar o modelo branco mais bonito, desistiu da compra justamente porque o ídolo usava o segundo uniforme durante o encontro polêmico. O vídeo que mostra o jogador com a camisa no motel foi feito pelo travesti Andréia Albertini, que na verdade se chama André Luiz Ribeiro Albertini, e caiu na Internet. “Deus me livre virar alvo de gozação dos meus amigos. O time eu não troco, mas a camisa, sim. Então, para evitar piada, vou comprar a rubro-negra tradicional”, disse ele.

O comerciante Antonio Jorge, 40, que atua perto das bilheterias do Maracanã, também já sentiu o baque nas vendas. “Nem criança, que não liga muito para esse tipo de assunto, quer mais a camisa branca do Flamengo por causa do que está saindo nos jornais. Só estou vendendo os modelos tradicionais do time”, revelou.

DO JOGO NO MARACANÃ AO ESCÂNDALO NO MOTEL DA BARRA

Domingo, 16h — Ronaldo assiste à vitória do Flamengo no Maracanã.
18h30 — Vai à festa de aniversário de amigo em São Conrado sem a ex-namorada, que fica em casa.
Domingo, meia-noite — Andréia sai de casa, em Copacabana e pega o ônibus 175 (Central-Recreio) para São Conrado.
Ronaldo chega à boate 021, na Barra, após deixar a festa do amigo.
Segunda-feira, 0h45 — O travesti embarca no ônibus 179 (Central-Alvorada) para a Av. Sernambetiba.
2h — Jogador deixa boate, onde só bebeu 3 cervejas.
3h30 — Andréia atende o primeiro cliente. Sexo oral, 10 minutos, R$ 30.
3h50 — Ela e uma colega chegam ao Posto 6, ponto de prostitutas mulheres, mas onde estavam outros quatro travestis.
4h — Ronaldo passa devagar no seu Ford Fusion. Volta, pára o carro, abaixa o vidro do lado do carona e, segundo Andréia, a chama. “Nossa, bebê! Como você manda eu entrar se nem sabe quanto é o programa?” Ronaldo teria dito: “Dinheiro para mim não é problema. Sou Ronaldo, o Fenômeno!”
4h15 — Andréia conta que beijou o craque na boca, ainda no carro.
4h25 — Ronaldo teria dito: “Não posso me expor. Vamos para o motel”. Antes de sair, o craque teria perguntado se Andréia não tinha uma amiga com quem gostava de transar. Com Carla Tamini, entraram no motel Papillon, na Praça do Ó.
De 4h30 a 7h30 — Chegam à suíte Buttefly. Carla chama o travesti Veyda Ganzarolli, que chega rápido. Na versão de Andréia, ela teria ido à Cidade de Deus comprar drogas a pedido de Ronaldo, que nega. Ela conta que a droga foi retida por PMs na favela. Nesse intervalo, Andréia vai a redações de jornais avisar que Ronaldo estaria mantendo duas amigas em cárcere privado em motel na Barra. Às 7h30, Carla e Veyda deixam o motel, segundo depoimentos da gerente e de garçom. O craque nega que nessas três horas tenha feito sexo.
8h41 — PM recebe o primeiro chamado de seqüestro no 190. O grupo esvaziara o frigobar duas vezes.
9h30 — Andréia volta. Funcionários contaram que Ronaldo ofereceu 600 dólares (mil reais) para o travesti, que, segundo ele, exigiu R$ 50 mil para não fazer escândalo. Ele se recusa a pagar, ela grava imagem dele com celular e a confusão pára na 16ª DP (Barra). Pouco depois, a PM se dirige ao motel, após várias chamadas de Andréia para o 190.

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