Rio - Repleto de políticos, ministros e secretários de Estado, o palanque de inauguração das obras do PAC foi tomado pelo clima eleitoral já de olho na disputa de 2010. Além do inédito aporte de recursos do governo federal no Rio, a cada vez mais próxima relação entre o governador Sérgio Cabral (PMDB) e o presidente Lula (PT) refletiu-se em palavras e gestos carinhosos durante todos os discursos do dia.
Em Manguinhos, após alfinetar o péssimo relacionamento político com a gestão estadual passada, comandada por Rosinha Garotinho, Lula mostrou que cada vez mais cresce a sua intimidade com Cabral. “Serginho, parabéns por tudo que você fez para o Rio. Graças a seu jeito de ser e enxergar o governo, podemos construir a mais importante parceria já feita no estado”, afirmou. Durante os discursos, no palanque, os dois sempre trocavam palavras e sorrisos, acompanhados de suas mulheres, Marisa Letícia (Lula) e Adriana Ancelmo (Cabral). Quando teve a palavra, o governador também não poupou elogios à administração de Lula desde 2003.
“Nos últimos quatro anos, o Brasil reorganizou as finanças e arrumou a casa. Faremos, em parceria, investimentos públicos para valer”, afirmou Cabral. O peemedebista é cotado para se candidatar em 2010, com apoio de Lula, à reeleição ao governo do estado ou até alçar vôos mais altos até o Palácio do Planalto.
DILMA ELOGIADA
Um dos nomes cotados para a candidatura à sucessão presidencial pelo PT, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, também foi ‘paparicada’ por Lula em todos os comícios. Ela chegou a ser chamada de “mãe do PAC” pelo presidente, que sempre a apresentava para os moradores.
“Ela é a companheira que coordena o PAC. É ela que cuida, que acompanha, que vai cobrar junto com o Márcio Fortes (Cidades) se as obras estão andando. O Luiz Fernando Pezão é grandão, mas vai saber o que é ser cobrado pela Dilma. Se ele não estiver fiscalizando direito, puxa a orelha do Pezão!”, brincou Lula.
Em entrevista após a inauguração na Rocinha, Dilma negou que os elogios na inauguração das obras sejam um impulso para uma candidatura à Presidência da República, daqui a dois anos. “É apenas um reconhecimento pelo meu trabalho”, admitiu, humilde.
Depois de Lula, Crivella foi o mais aclamado
Além de Lula, o segundo político mais ovacionado pelos moradores das três comunidades foi o senador Marcelo Crivella (PRB), pré-candidato à disputa pela Prefeitura do Rio, em outubro deste ano. Ele, que aparece em primeiro lugar nas pesquisas de intenção de voto após a desistência do apresentador e deputado estadual Wagner Montes (PDT), aproveitou o evento para distribuir panfletos de propaganda sobre o seu principal projeto: o Cimento Social, que são obras em habitações no Morro da Providência feitas pelo Exército.
Outros dois possíveis adversários na corrida para a prefeitura também dividiram o palanque com Lula. O deputado estadual Alessandro Molon, que deverá ser candidato pelo PT, e o secretário de Esportes, Eduardo Paes, que luta para ser o nome do PMDB na disputa.