Marco Antonio Canosa e Vania Cunha
Rio - Quarenta minutos de chuva levaram caos a vários pontos da cidade na tarde de ontem. O Rio parou com o temporal que deixou várias ruas alagadas e engarrafadas e moradores sem luz — a Defesa Civil registrou mais de 50 ocorrências. Em Santa Cruz, os ventos chegaram a 67 km/h. De acordo com meteorologistas, choveu de 30 a 50 milímetros entre as 16h e 17h, o equivalente à metade da média dos meses de novembro. Os transtornos também foram registrados em Niterói, São Gonçalo e na Baixada Fluminense. A Defesa Civil está em alerta, já que a previsão é de que a frente fria continue até o fim de semana.
Veja fotos da chuva no rio
O vento forte e a chuva provocaram o fechamento das pistas da Ponte Rio-Niterói por quase 20 minutos. Policiais rodoviários fizeram comboio para retirar os carros da ponte em velocidade lenta. O trânsito ficou tumultuado em ambos os sentidos. A prefeitura de Niterói chegou a recomendar que motoristas evitassem sair de carro.
A Linha Amarela também fechou no sentido Barra da Tijuca. Bolsões de água na Avenida Ayrton Senna causaram lentidão no trânsito, o que obrigou a concessionária que administra a Linha Amarela a fechar a pista, evitando que motoristas ficassem parados no túnel. O Aeroporto Santos Dumont também ficou fechado durante uma hora.
Em Botafogo, houve deslizamento em uma obra na Rua Assunção, na antiga Casa de Saúde Doutor Eiras. O operário João Luís Ignácio dos Santos, 59 anos, ficou ferido e foi encaminhada ao Hospital Miguel Couto, no Leblon. No mesmo bairro, uma árvore caiu sobre um carro. No Santo Cristo, um motorista ficou levemente ferido quando uma árvore desabou sobre seu carro. Os bombeiros também foram chamados para retirar árvores caídas na Tijuca, em Guadalupe e no Grajaú.
Em toda a cidade foram registrados muitos pontos de alagamento. No Centro, Aterro do Flamengo, Botafogo, Jardim Botânico, Maracanã e Praça da Bandeira, as ruas pareciam rios. Pessoas que saíam do trabalho andavam com água até pela cintura e motoristas tiveram dificuldade para passar por trechos inundados. “Foi um desespero, estava tudo debaixo d’água. Andei até um lugar onde pudesse esperar a água baixar, com a Júlia na minha cintura”, contou a babá Taize Pedroso, 41, que buscava a menina de 3 anos no colégio, em Laranjeiras.
A confusão no trânsito deixou as estações das barcas e do metrô lotadas. “As plataformas estavam tomadas por uma multidão. Para chegar a Irajá, onde moro, tive que esperar quatro composições. Em dias normais, chego em 40 minutos. Mas quando chove é esse absurdo”, reclamou a operadora de telemarketing Luciana Tavares, 33.
PRESO NO REBOUÇAS, CONDUTOR PASSA MAL E MORRE
Antes do temporal, por volta das 13h, piloto de asa delta, identificado como Juan, e a turista americana Rebeca Faustini, 30 anos, caíram de asa delta na mata da Pedra Bonita, na Gávea. Segundo bombeiros, a dupla despencou devido ao forte vento. Cerca de 24 bombeiros levaram uma hora para resgatá-los. Às 19h30, os dois foram levados para o Hospital Miguel Couto, no Leblon.
Preso no congestionamento dentro do Túnel Rebouças, o motorista Geraldo de Oliveira Gomes passou mal e morreu. De acordo com a Coordenadoria de Vias Especiais, ele seguia para a Lagoa quando se sentiu mal e parou seu Dobló. Bombeiros que passavam no local tentaram socorrê-lo, em vão.
Vários bairros ficaram sem luz. Técnicos da Light atenderam chamados em Jacarepaguá, Campo Grande, Santa Cruz, Recreio, Tijuca, Ilha e Cosme Velho. Ingá e Icaraí, em Niterói, também ficaram às escuras.
No Vidigal, foi preciso que bombeiros resgatassem alunos da creche Santa Clara, invadida pela água. Teto de gesso de cobertura desabou, na R. Jerônimo Monteiro, no Leblon, desabou. Em São Gonçalo, o quartel dos Bombeiros ficou inundado. Moradores de Piabetá, em Magé, e do Anil, em Jacarepaguá, tiveram suas casa alagadas.