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27/08/2008 01:41:00

Carioca faz crítica a cardápio

Suposta refeição de ex-banqueiro atrás das grades causou indignação no Rio entre pessoas que ainda não experimentaram ou comeram lagosta poucas vezes. ‘Assim dá para viver bem na cadeia’, diz garçom

Rio - O carioca não engoliu bem o cardápio encomendado por presos de Bangu 8. A suspeita de que o ex-banqueiro Salvatore Cacciola estaria se deliciando na cadeia com pratos requintados como lagosta e salmão provocou indignação. Para a maioria, a rotina culinária dos presos vips não deveria acompanhá-los atrás das grades.

À frente do tradicional restaurante Senta Aí, conhecido como o Rei da Lagosta, no Santo Cristo, Hilda de Souza Costa, 63 anos, questionou a permissão de entrada da iguaria no presídio. “Para ter tudo lá dentro não faz diferença ele estar preso ou solto, né? Assim não adianta”, disse ela, que aproveita para vender o seu peixe: “Ou ele se igualava aos outros e comia o que é servido lá, ou então vinha aqui, encomendava e servia para todos lá”, ironizou.

Segundo Hilda, o prato que teria sido encomendado por Cacciola por R$ 116, em um restaurante na Barra da Tijuca, saiu caro. No Senta Aí, há pratos de lagosta que saem por cerca de R$ 80 e servem duas pessoas.

No Mercado São Pedro, em Niterói, o quilo da lagosta pode ser encontrado por R$ 49,99. Mesmo com tanto crustáceo por perto, o garçom Charles França, 31 anos, nunca experimentou o prato. “Nem sonhando. É muito caro, não tem como. Mas ele tem gosto apurado. Assim dá pra viver bem na cadeia”, disse. O peixeiro Denílson Santana, 31, concordou que a iguaria facilita a estadia no presídio: “O dinheiro dele manda. Isso é para quem tem. Mas um arroz e feijão tá bom para todo mundo. Dá para matar a fome”.

Lagosta por lagosta, o consultor gastronômico Arturo Vilar, do restaurante King Crab, no Centro, sugeriu a refeição à marinara como a que mais faria sucesso com o ex-banqueiro, já que é um prato bastante servido em Mônaco. Segundo ele, a receita utiliza o próprio caldo do crustáceo e também é servido com arroz arbóreo e pedaços da lagosta. “Quem sabe Cacciola não gosta?”.

Um grupo de amigos reunidos no Centro não digeriu bem a descoberta da quentinha de lagosta. “Eu só como uma vez na vida e outra na morte. Só no Brasil mesmo acontece isso”, revoltou-se o dentista Fabiano Menegat, 33. “Tinha que comer macarrão com carne moída”, emendou o produtor musical Alexandre Pinheiro, 43.

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