Rio - Apesar de o vereador Jerônimo Guimarães Filho, o Jerominho (PMDB), ter patrimônio milionário, sua filha Carmen Guinancio Guimarães, a Carminha, candidata pelo PTdoB, não teve a mesma sorte. Pelo menos na declaração de bens apresentada à Justiça Eleitoral, a sucessora de Jerominho — acusado pelo Ministério Público de ser o chefe da milícia de Campo Grande — afirma não ter nada em seu nome.
A declaração de bens de candidatos a vereador e prefeito parece uma ficção. Por incrível que pareça, não há no País qualquer lei eleitoral que impeça um candidato de omitir ou subavaliar, por exemplo, seus imóveis e carros à Justiça. Todos são obrigados a entregar os dados de seu patrimônio para conseguir homologar a candidatura, mas, no fim das contas, podem mentir, já que tanto o Ministério Público Eleitoral (MPE) quanto o TRE não consideram a atitude um crime eleitoral.
INVESTIGAÇÃO
Procurado, o TRE informou que, “caso fique comprovado que um candidato mentiu na declaração de bens ou em qualquer outro documento apresentado à Justiça Eleitoral, poderá ser aberto um processo de investigação criminal por falsidade, que vai gerar uma provável condenação. Não se trata, porém, de um crime eleitoral e não tem impacto imediato na candidatura. Trata-se de um delito criminal, julgado na Justiça Comum”.
Já o MPE respondeu que os promotores eleitorais poderão encaminhar o caso para a polícia investigar. No âmbito criminal, além de alvos de investigações da Secretaria de Segurança, a Polícia Federal (PF) já abriu inquérito para apurar enriquecimento ilícito, sonegação fiscal e lavagem de dinheiro feita por policiais civis e militares e bombeiros nos últimos anos.
A investigação foi aberta após série de O DIA mostrar os bens e as empresas dos suspeitos de integrar as milícias no Rio.