Rio - Parentes do porteiro Uanderson Luiz Porto — assassinado com oito tiros, sábado, em Campo Grande — disseram ontem, durante o enterro, no cemitério do bairro, que temem represálias. O crime aconteceu em frente ao Condomínio Girassol, na Estrada do Mendanha, onde morava e foi presa, sexta-feira, a candidata à Câmara Municipal Carmem Glória Guinâncio Guimarães, a Carminha Jerominho.
A principal linha de investigação da 35ª DP (Campo Grande) é de o crime ter sido uma encomenda da ‘Liga da Justiça’, milícia que atua em Campo Grande. O delegado Marcus Neves disse que Uanderson foi morto por ter informado a agentes da Polícia Federal (PF) em que casa Carminha morava, quando eles chegaram ao condomínio para cumprir o mandado de prisão.
Um irmão de Uanderson, que não quis se identificar, negou que o porteiro tivesse envolvimento com a milícia. Marcus Neves havia dito que Uanderson estava sendo investigado por ligação com o ex-PM e irmão de Carminha, Luciano Guinâncio Guimarães, foragido da Justiça.
Ontem, o comitê eleitoral de Carminha, na Estrada Guandu do Sapê, estava fechado e sem identificação. Na rua, porém, a campanha continuava a todo o vapor. Havia cartazes de Carminha espalhados por toda a região. “Jerominho indicou. Demorou, mas abalou, é Carminha para vereador”, dizia a música de carro de som com adesivos da candidata, filha do vereador Jerominho, preso em Bangu 8 acusado de comandar milícia.
PUNIÇÃO PARA CARMINHA
Mesmo presa, Carminha pode ser eleita. Conforme decisão do Supremo Tribunal Eleitoral, ninguém pode ser privado do direito político de se candidatar enquanto o processo a que responde não tiver sido julgado em última instância. O procurador regional eleitoral no Rio Rogério Nascimento explicou que, se condenada, Carminha pode cumprir até quatro anos de prisão.
Paralelamente a isso, o promotor eleitoral Eduardo Rheingantz, de 1ª instância, pode pedir até a data da eleição, 5 de outubro, a cassação do registro de Carminha.
Caso seja eleita e condenada depois, entre outubro e dezembro, período em que ainda não tiver sido diplomada, o Tribunal Regional Eleitoral deverá negar a diplomação. Se a decisão a respeito das acusações a que responde só sair depois de diplomada, ela poderá ter o mandato impugnado.
A Operação Voto Livre da PF, deflagrada para coibir o curral eleitoral montado pelos paramilitares na Zona Oeste, prendeu 13 pessoas, entre elas Carminha e dez PMs, sendo que dois são lotados no gabinete do deputado estadual Natalino Guimarães, tio de Carminha, preso em Bangu 8.