Polícia investiga formação de supergrupo de milicianos que estariam unindo forças nas zonas Norte e Oeste
Rio - Policiais da 40ª DP (Honório Gurgel) investigam grupos paramilitares que estariam se unindo para aumentar suas forças. Trata-se da formação de ‘supermilícia’, que agiria em bairros da Zona Norte e Jacarepaguá, por meio de uma espécie de intercâmbio. Homens de milícias de regiões diferentes são recrutados para reforçar outras áreas de acordo com a necessidade das quadrilhas.
Já em Campo Grande, a ‘Liga da Justiça’, milícia que atua no bairro, sofreu duro golpe na sexta-feira. A Polícia Federal prendeu 13 pessoas durante a Operação Voto Livre, entre elas 10 PMs e a candidata a vereadora Carminha Jerominho, filha do vereador Jerominho. Em Jacarepaguá, a polícia do Rio está em estado de alerta. Segundo o delegado Ricardo Teixeira, há fortes indícios de que milicianos do local estariam agindo em conexão com bandos formados por policiais e ex-policiais que tentam se instalar em Coelho Neto, Honório Gurgel e Rocha Miranda.
De acordo com Teixeira, homens ligados a supostos chefes de milícias em Jacarepaguá estariam servindo de elo entre as quadrilhas. “Descobrimos que determinadas pessoas, usando o nome de políticos e se dizendo representantes de associações de moradores que não existem, é que têm feito a ligação entre os grupos. O objetivo é dominar áreas em comum, como fazem os chamados ‘esticas’ no tráfico de drogas, e também criar currais eleitorais, para demonstrar força e intimidar a polícia”, afirma.
O titular da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado e Inquéritos Especiais, Cláudio Ferraz, não descarta a possibilidade de os bandos se articularem: “O aumento da repressão da polícia nas áreas dominadas por paramilitares tem deixado essas organizações enfraquecidas”.
A CPI das Milícias da Alerj investiga denúncias de que paramilitares de regiões diferentes têm se unido ocasionalmente para praticar ações específicas, como homicídios. “É preocupante e merece toda a atenção da polícia, pois milicianos não são divididos em facções, como no tráfico”, diz Marcelo Freixo, presidente da CPI.
O delegado da 32ª DP (Jacarepaguá), Pedro Paulo Pinho, prefere não falar, mas, em depoimento na CPI, disse que as milícias estão organizadas e que alguns grupos agem com a colaboração de associações de moradores.
Um dos suspeitos de promover a integração entre milicianos de Jacarepaguá e Honório Gurgel é Jorge Luiz Pinto. Em depoimento dia 7 à polícia, disse ser representante de associação de moradores em formação. Jorge Luiz chegou a intervir para impedir a derrubada de uma das cancelas retiradas por agentes da 40ª DP em rua de Honório Gurgel. As barreiras, como O DIA noticiou dia 10, teriam sido colocadas por milicianos para controlar a entrada de carros. Diariamente, policiais da 40ª DP fazem ronda para impedir que os obstáculos sejam reinstalados.
“Jorge Luiz será indiciado por associação para a formação de quadrilha ou bando. Ele teria ligações com um vereador citado na CPI das Milícias”, afirma Ricardo Teixeira. Ao depor, Jorge negou envolvimento com milícias.