Rio - Uma frota de veículos irregulares desfila nas ruas do Rio. Durante apenas meia hora, oito ônibus com vistoria atrasada foram flagrados na Rua Primeiro de Março, no Centro, na tarde de ontem: quatro municipais e quatro intermunicipais. O número corresponde a 13% dos 60 coletivos verificados por equipe de O DIA. Os veículos, novos ou antigos, não apresentavam selo de vistoria ou os tinha fora da validade. Os ônibus municipais com finais de placa de 1 a 4 são obrigados a já exibir o comprovante de 2008 colado no vidro dianteiro.
Mais cedo, na Avenida Passos, o Sindicato das Cooperativas de Transporte Público Coletivo de Passageiros do Município do Rio (Sindtransrio) identificou 83 ônibus municipais irregulares, alguns com o vidro trincado e documentação atrasada, além de não ter o selo de 2008 da Secretaria Municipal de Transportes.
Em protesto contra alegada diferença no rigor da fiscalização do poder público para vans e ônibus, o sindicato, que representa os motoristas de vans, promoveu blitzes em mais três bairros da cidade: Madureira, Santa Cruz e Cascadura. No total, foram flagrados 147 ônibus sem vistoria. Na “operação” Ônibus Pirata, os topiqueiros, com narizes de palhaço, apitos e faixas, colam adesivos nos ônibus para identificá-los como irregulares.
“Estamos preparando um dossiê para entregar ao Ministério Público sobre a perseguição às vans na cidade”, explica Hélio Ricardo de Souza, diretor financeiro e futuro presidente do Sindtransrio. O sindicato ainda planeja realizar a fiscalização na Zona Sul e na Ilha.
De acordo com Hélio, as empresas de ônibus colocam mais veículos do que o permitido nas ruas e por isso não fazem vistoria. “Para o poder público, esses carros não existem”, denuncia. O Rio Ônibus — sindicato das empresas — nega a irregularidade. “As empresas rodam com a frota autorizada pelo Secretaria Municipal de Transportes. Nada além”, afirma Otacílio monteiro, vice-presidente do Rio Ônibus.
Os passageiros são os mais prejudicados. “Sem a vistoria não temos garantia de segurança alguma. Apesar do alto preço das passagens, viajamos muitas vezes em veículos caindo aos pedaços”, conta o eletricista Alex Miguel da Silva, 26 anos, que se surpreendeu ao saber que dois carros novos, placas LPA-8009 e LUW-9874 da linha 463 (Passeio-Piabetá), que costuma usar para ir para casa, não apresentavam nenhum selo de vistoria.
PREFEITURA EMITIU 180 MULTAS POR FALTA DE VISTORIA ESTE ANO
A Secretaria Municipal de Transporte informa que, dos 8.299 ônibus que compõem a frota municipal, 4.425 já foram vistoriados este ano. Veículos com placa final 5 têm até o dia 31 para passar pela fiscalização. A empresa que não fizer a vistoria será multada em R$ 570 por veículo irregular. De janeiro a junho deste ano, a secretaria já emitiu cerca de 1.800 multas, sendo 180 relativas à falta de vistoria.
A secretaria reconhece que não tem fiscais suficientes. Por isso, fechou no ano passado convênio com o Detro para fiscalização conjunta.
Denúncias podem ser feitas por meio da ouvidoria no telefone 2286-8010. Um fiscal será enviado até a empresa, que pode ser notificada e ter os veículos proibidos de circular até regularizar a sua situação.
Entre os veículos flagrados sem selo ontem estão o C-10 (Central-Bairro de Fátima) placa KYH-0759.
O diretor técnico operacional do Detro, João Cassimiro, explica que os fiscais do órgão visitam as empresas e verificam as condições de toda a frota. “O calendário anual de vistoria está rigorosamente em dia”, garante.