Rio - Vestido com a roupa do Homem-Aranha, o corpo do menino João Roberto foi enterrado um pouco depois das 17h desta terça-feira, no Cemitério do Caju, Zona Portuária. Ele foi morto por policiais que confundiram o carro de sua mãe com de bandidos, no domingo, na Tijuca, Zona Norte.
Num clima de comoção e revolta, cerca de 300 pessoas acompanharam o enterro do menino. A mãe dele, a advogada Alessandra Amorim, passou mal e precisou ser retirada da capela durante o velório para fugir do pequeno tumulto. Bastante abalada, ele foi medicada e conseguiu acompanhar o sepultamento.
Já a avó materna, Cirene Amorim, não suportou a emoção e desmaiou durante o velório. Amparada por amigos, ela recebeu atendimento na capela E, em frente ao local onde o menino de 3 anos era velado.
O pai de João Roberto, Paulo Roberto Barbosa Soares, fez um discurso inflamado e disse que o baixo salário não é motivo para que os policiais "ajam como monstros". Ele pediu uma salva de palmas para o filho, antes do caixão ser sepultado.
Por causa do grande número de pessoas, os taxistas amigos de Paulo Roberto improvisaram um cordão de isolamento no caixão para impedir a aproximação da imprensa e facilitar a passagem da família. Mais cedo, eles prenderam fitas pretas nos veículos e fizeram uma passeata da Tijuca até o cemitério.
Integrantes do movimento Rio de Paz estenderam duas faixas de protesto no cemitério. Em uma eles mostram os números da violência no Rio, classificando-os de "números da indiferença, da insanidade e da maldade". Em outra, mostram a revolta com a morte do menino: "João Roberto, 3 anos, tragédia anunciada".
O pai, a mãe e a avó do menino deixaram o cemitério dentro de uma ambulância do Samu.